Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
Nas tuas mãos

As palavras não servem o corpo. Não existem deuses , nem criaturas nuas com as roupas espalhadas no dorso dos cavalos. Não esperes a perfuração da faca nos olhos do tempo, nem tragas gestos demasiado simples para o fogo da espera. Haverá outro caminho, labios cerrados para legitimar a terra, ela e os homens o mesmo cansaço, a mesma lua sobre os telhados, a musica comum do que estão aprendendo a conhecer-se.

 

                                                                                                                                                lobo 09



publicado por relogiodesacertado às 15:41
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Já senti a chuva na nuvemda palavra

Já senti a chuva na nuvem da palavra

a sombra moldando a fruta

e o gesto sem limite

na equação do simio.

 

Já aplaudi o time

dei fogo no peito profundo

tive o amor mais sublime do mundo.

 

Já senti a sombra

na curva cortante da faca

apanhei o amante na estrada

no impérioda carne fraca

 

Já senti a chuva

na nuvem da palavra

a sombra moldando a fruta

e o gesto sem limite

na equação do simio

 

                                                             lobo 09

 



publicado por relogiodesacertado às 18:55
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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Atravesso o espelho do corpo

Atravesso o espelho do corpo

o muro do corpo

o porto dos olhos

dos olhos puros do mundo.

 

Atravesso o espelho do corpo

o sonho do corpo

o lume dos olhos

dos olhos cansados do amor.

 

 

Atravesso a estrada

a madrugada, a madrugada do corpo

do corpo embriagado da noite.

 

Atravesso o espelho do corpo

o muro do corpo

o porto dos olhos

dos olhos puros do mundo.

                                                                                          lobo



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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008
...

Acordo... este é o tempo da paixão. As vozes da rádio, as paredes húmidas da casa e nós inventamos alguém para dançar. Julgo nunca ter escrito um diário , é possível escrever de diferentes maneiras. Quantos modos de voar existem, quantas respirações. Gostava de saber escrever cartas. Quando recebia alguma carta era como o começo de um novo amor. Abrir uma carta tem uma ansiedade parecida aquela quando tiramos a roupa para aquela primeira vez em que íamos fazer amor. No abrir da carta e no despir do outro que se vai revelando. O outro está escondido, ele é a nossa carta, nós abrimos essa carta cuidadosamente. A precipitação pode fazer explodir a nossa vida, aqueles elementos que fazem bater o coração, esses que mesmo parecendo desnecessários fazem falta a esta energia, á compreensão que serve para chegar aos outros. Não existe o falso momento, todos os momentos são verdadeiros, se os rejeitamos podemos ir á outra margem e recuperar fôlego para a existência. Tenho admiração por todos os poetas e até por aqueles que não o são, encontro em todos eles uma história para contar, uma viagem para fazer. O cheiro do papel, da cola a escorrer nos dedos, que sensação! Lembro-me dos dias de sol, de estar sentado nas escadas, de olhar a videira sobre o brilho solar dos meus cabelos louros e nesta abstracção eu profetizava que um dia havia de chover vinho. Nesse instante esperava o carteiro, todas as semanas ele me trazia o mundo de aventuras. Nunca mais soube nada do capitão América, gostava de lhe perguntar coisas sobre a morte.  É possível que o grande poeta, o grande Pablo Neruda que um dia chegou á minha infância ainda a começar no meu corpo adolescente e como um vento que sopra soprou uma canção desesperada. O desespero faz-nos começar as coisas, o desespero força o maior dos empreendimentos. Acendemos o nosso fogo interior, que não se move, que não alimenta nada e depois o desespero é como se a própria morte encontra-se forças para a vida. Penso na pobreza dos poetas, a solidão deles como se eu lhes tocasse o corpo no evocar das palavras que digo, essas que perfuram as raizes e fazem o sangue escorrer. Meus poetas é esta a minha declaração, o pão e o vinho e que coisa seria a vossa inspiração sem essas misérias?! Esses rostos magros e pálidos que a fome mostra e vós que andais no mundo da carne, da luminosa carne, dessa paixão podre e primaveril vos digo que há a suprema confiança, a construção da felicidade para a superação da morte. A imortalidade do capitão América provoca-me angustia, não lhe encontrar uma ruga, não sentir nele um cheiro a corpos caidos, derrubados pela fragilidade, gostava que o capitão América tivesse o poder de fracassar para fazer a tentativa de conquistar o mundo pela incerteza. Perguntas a direcção do mar, também a mim me apetece fugir dos homens. Antes o teu coração era forte. O teu coração estava preparado para a imprevisibilidade dos segredos.

 



publicado por relogiodesacertado às 17:33
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
...

Tento encontrar o caminho das coisas inuteis. Porque quero regressar a essas coisas sempre pela mesma estrada?! As coisas inuteis onde estão? Que contradição dizer-se que o ceu azul pode ser profundo e inutil. Neste estado



publicado por relogiodesacertado às 18:40
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Domingo, 18 de Maio de 2008
Este ser guardado

Este ser guardado em qualquer parte, a pedra cortada sobre os veios das mãos. Perguntas o que é que anda sobre as águas, a que se parece o ladrar do cão quando o silêncio anda nas casas.

 

Este ser guardado em qualquer parte, o dia tão limpo e o teu corpo tão sujo. E tu perguntas a proposito de uma antiga demora o tempo que a terra leva a chegar ao corpo.

 

Ainda não se consegue imaginar o que isto tem a ver com a morte.

 

                                                                                                                                           lobo 06



publicado por relogiodesacertado às 12:38
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
O estado da água

O estado da água

essa mistura que pões na boca

a terra mais o cansaço e depois o grito, qualquer coisa que levamos ao corpo

para sentir que acordamos.

 

O estado da água

essa mistura das mãos nos olhos e depois nos escondemos

e nos destapamos como é costume observar nas aves.

 

O estado da água, essa mistura que o tempo leva aos lábios e depois o grito, qualquer coisa demasiado imaginada.

 

O estado da água, essa mistura que pões na boca, a terra mais o profundo gesto, qualquer coisa ainda mais apetecivel que a previsão de descobrir qualquer coisa mais dentro dos olhos.

 

O estado da água

essa mistura das mãos nos olhos e depois nos escondemos e nos destapamos como é costume observar nas aves

 

lobo 08



publicado por relogiodesacertado às 12:39
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Tango com cheiro de alecrim

Personagens: Madalena, Juan , A velha Alba, A velha Maria de Jesus, A velha rosário , A velha Júlia .

 

 

Madalena dirigindo-se a Juan .

 

Madalena - Sai de cima do telhado

 

Juan - mãe o céu cheira a alecrim

 

Madalena - Vêm para a mesa!

 

Juan desce do telhado e corre para ela.

 

Madalena - Mostra-me as mãos.

 

Juan mostra as mãos.

 

Madalena Estão sujas

 

Juan - É do fumo, sabes mãe os aviões cheiram ao alecrim.

 

De repente batem à porta.

 

Madalena - Vou ver quem é.

 

Madalena entre abrindo a porta.

 

Madalena - Querem entrar pergunta ela olhando as quatro velhas coladas umas á s outras.

 

Velha Alba - Não conseguimos acender o fogo.

 

Velha Rosário - Nem conseguimos mexer os dedos.

 

Velha Maria de Jesus - Nem nos conseguimos benzer, ficamos na parte em nome do pai e o braço fica preso.

 

Madalena - Fiquem perto do fogo.

 

A velha Alba apontando o olhar a Juan .

 

A velha Alba - Que fazias em cima do telhado?

 

Juan - Esperava.

 

Madalena - Ele imagina que em cima do telhado consegue ver o mar.

 

A velha Alba - E que esperas?!

 

Juan - O regresso do meu pai.

 

A velha Julia - Podes cair.

 

Madalena - Ele tem a agilidade de um pirata.

 

Juan - Mãe os piratas cheiram ao alecrim?

 

A velha Maria de jesus - Essas criaturas cheiram ao fogo do inferno.

 

Juan - Estas velhas são tão tristes!...

 

Madalena - É o medo.

 

Juan - Por causa do medo ficamos tristes?

 

A velha Alba - Madalena h há quanto tempo o teu homem anda no mar?

 

Madalena - H á muito tempo.

 

A velha Alba - E desde então algum homem te cheirou.

 

Madalena - Por aqui cheira a agoiro.

 

A velha Julia - Rezar em latim afasta o agoiro.

 

Madalena - O agoiro são vocês.

 

A velha Maria do ros á rio - Nós?!

 

Madalena - Saiam!

 

As velhas vão saindo coladas umas á s outras.

 

fim do primeiro acto.

 

 

 

Mãe e filho frente a frente.

 

Juan - Mãe e se eu fosse um p á ssaro!

 

Madalena - Que fazias se fosses um p á ssaro?!

 

Juan - Sobrevoava o mar de uma grande cidade.

 

Madalena - Que p á ssaro gostavas de ser?

 

Juan - Que p á ssaro achas que eu puderia ser?

 

Madalena - Uma garça.

 

Juan - Gosto de dançar, quando estou no telhado imagino que sou aquele bailarino russo e que dou saltos no ar. O bailarino russo é um p á ssaro.

 

Madalena - Quem é esse bailarino russo?

 

Juan - É um voador, olhe esta fotografia.

 

Madalena - É muito masgro .

 

Juan - Se eu treinasse talvez conseguisse voar.

 

Madalena - Andas pensativo!

 

Juan - Penso no pai

 

Madalena - Vai voltar

 

Juan - Quando?!

 

Madalena - Quando apanhar peixe suficiente.

 

Juan - Vai tirar peixe da barriga do mar?

 

Madalena - É isso.

 

Ouvesse o sino da igreja.

 

Madalena - Agora o vento est á mais forte.

 

Juan - O vento é quem guia os olhos dos apaixonados.

 

Madalena - Vou espreitar pela janela.

 

Juan - A velha Maria de Jesus dirige-se para aqui, est á a benzer-se, agora parou. É louca.

 

Madalena - Agora est á a ajoalhar-se .

 

Juan - Estão cães á volta dela.

 

Madalena - Os cães vão aquecê-la.

 

Juan - Ou comê-la

 

Madalena - Vai l á fora e tr á la para dentro.

 

Juan arrasta a velha Maria de Jesus.

 

Madalena - Devagar podes quebrar-lhe algum osso.

 

Maria de Jesus - Venho em missão.

 

Juan - Mãe a velha est á louca!

 

Maria de Jesus - Tens o diabo no corpo.

 

Juan - Conheço a formula para afastar velhas beatas; é a formula do sacudir dos pés.

 

Madalena - Que missão é essa?

 

Maria de Jesus - Limpar os maus espíritos.

 

Madalena - Onde estão os maus espíritos?

 

Maria de Jesus - Nas tabernas.

 

Madalena - Isto aqui não é  nenhuma taberna.

 

Juan - Ninguem anda a misturar enxofre no vinho.

 

Maria de Jesus - Vamos cantar em latim para afastar o mal.

 

Madalena - Cantem em vossa casa!

 

Maria de Jesus - A nossa casa é fria como a morte.

 

Juan - Vou subir ao telhado.

 

Madalena - Que fazemos com estas loucas?!

 

Juan - É um pesadelo dificil de descrever.

 

Maria de Jesus - A mana Alba j á tem noventa anos.

 

Madalena - Que faça bom proveito.

 

Maria de Jesus - A pobre não consegue andar.

 

Madalena - Mas consegue mexer a lingua.

 

Juan - E os cotovelos.

 

Madalena - Queremos ficar em paz.

 

Maria de Jesus - Escutem o doce cantico!

 

Juan - A cantar desse modo afastam qualquer santo do bom caminho.

 

Juan sai de cena e termina a segunda parte.


 

                                                                                  3


 

Deitada perto da lareira est á a velha Maria de Jesus.


 

Madalena - Est á a dormir


 

Juan - Parece tranquila.


 

Madalena - Escuta...


 

Juan - O apito de um navio.


 

Madalena - É um navio de mercadorias.


 

Juan - Que coisas trás?


 

Madalena - Que imaginas que possa trazer?!


 

Juan - A canção do regresso.


 

A velha maria de Jesus começa a acordar.


 

Maria de Jesus - Olho as rugas das minhas mãos e lembro aquele tempo de nova, eu tinha aquele desejo de partir os vidros das janelas, de quebrar as fechaduras das portas...


 

Madalena - Desejava liberdade.


 

Maria de Jesus - Apaixonar-me como o rouxinol se apaixona pela canção dos homens.


 

Madalena - É um pensamento bonito.


 

Juan - Você era namoradeira!


 

Maria de Jesus - O nosso pai, o velho general não gostava de liberdades.


 

Juan - O amor é uma liberdade responsavel.


 

Madalena - O meu filho é um filosofo.

 

Juan - São pássaros que sobem ao meu pensamento

 

Maria de Jesus - Agora parece que é tarde.

 

Madalena - Porquê?

 

Maria de Jesus - Estou confusa, apetece-me pecar.

 

Madalena - O pecado cheira ao alecrim.

 

Juan - Mãe os olhos dela são escuros.

 

Madalena - Ela tem uns olhos bonitos.

 

Maria de Jesus - Há muitos anos eu vi Deus no corpo de um homem, chamava-se Afonso.

 

Juan - Há um rei que se chama assim.

 

Maria de Jesus - Ele era guarda águas e eu uma guardadora de silencios.

 

Madalena - Você nunca se declarou?

 

Maria de Jesus- Tinha medo do meu pai.

 

Madalena - E que lhe aconteceu a ele ao Afonso?!

 

Maria de Jesus - Apanhou uma febre

 

Juan - Mãe existe a febre do alecrim?

 

Madalena - Achas que apanhou a febre do alecrim?!

 

Juan - Vou sair.

 

Madalena - Veste um casaco.

 

Juan - Vou na biblioteca, tem lá um livro daquele bailarino russo.

 

Madalena - Não voltes tarde.

 

Maria de Jesus - Já não tenho frio

 

Madalena - Agora está menos.

 

Maria de Jesus volta a olhar as mãos e termina a terceira parte.

 

                                                                    4ª parte

 

 

Ouvesse o barulho de cães a ladrar.

 

Madalena - Parecem esfomeados.

 

Maria de Jesus - Antes eu fazia as minhs orações como um animal esfomeado, tinha fome de virtude e de castidade, mas era um engano.

 

Madalena - Parece que os cães acalmaram.

 

Maria de Jesus - Quanto mais perto estamos da morte mais faz sentido a revelação da verdade.

 

Madalena - Em que parte do mundo anda a morte, nunca a descobri nos livros de geografia.

 

Entra a musica de Astor Piazola.

 

Madalena - Gostaria de vestir o meu vestido mais colorido.

 

Entra Raul o homem de Madalena, ele é uma representação da sua imaginação.

 

Raul - Convidei estes musicos.

 

Madalena - Estou nervosa.

 

Raul - Seguro nas tuas mãos e são os meus olhos que te guiam.

 

Madalena - Porque demoras-te tanto tempo?

 

Raul - Agarrra as minhas mãos!

 

Madalena - Estão quentes como eram na primeira noite.

 

Enquanto dançam os musicos comemoram com champanhe.

 

Raul - Com o nosso melhor vinho havemos de regar o nosso melhor peixe.


 

Madalena - Pareces um cavaleiro andante!


 


 

Madalena desperta do seu sonho.


 

Maria de Jesus - Mulher estavas a falar sózinha?!


 

Madalena - É para o fogo não se apagar.


 

Ouvem-se passos


 

Madalena - É o meu filho, quando escuto os seus passos parecem os passos do pai.


 

Maria de Jesus - Já lhe contas-te?


 

Madalena - Que coisa?!


 

Maria de Jesus - Que o pai dele já não volta.


 

Madalena Depois do naufrágio nunca encontraram o corpo.


 

Maria de Jesus - Ele será sempre encontrado nos teus desejos.


 

Madalena - Venha sentar-se perto de mim.


 

Madalena abre uma garrafa de vinho.


 

Maria de Jesus - Não contes ás minhas irmãs


 

Madalena - Beba!


 

Maria de Jesus - É doce


 

Madalena - E é forte


 

Juan entra e apoia as mãos no ombro da mãe.


 

Juan - trouxe aquele livro do bailarino russo.


 

Madalena - Vem para perto da luz.


 

Juan vai-se aproximando, á medida que se aproxima a luz vai diminuindo e fica escuro.


 

                                                                         fim

 

 

Os ratos já não gostam de queijo.

 

 

Cego - Os ratos já não gostam de queijo.

 

Barqueiro - Onde quer ir?

 

Cego - A babilónia fica longe?

 

Barqueiro - Apenas quinhentas braçadas.

 

Cego - Quer que leia o resto do poema?!

 

Barqueiro - Leia para a água.

 

Cego - A água mexe.

 

Baqueiro - São os ratos.

 

Cego - Doem-lhe os braços?

 

Baqueiro - É como amassar o pão!

 

Cego - Apetece-me um cigarro.

 

Barqueiro - Os meus cigarros parecem velhos como os ratos.

 

 

 


 


 

 

 

 



publicado por relogiodesacertado às 14:45
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
A NOITE NAS TUAS MÃOS

A noite nas tuas mãos

nas tuas mãos fechadas

a noite é um segredo

um segredo que serve para desvendar as coisas simples

que permanecem sobre a água e sobre a pele.

 

A noite nas tuas mãos

nas tuas mãos pálidas e iluminadas

é um momento neutro o ritual intimo da paixão ausente.

 

A noite nas tuas mãos

nas tuas mãos fechadas povoadas de estrelas de fogo e do fumo que cai dos dedos humidos.

 

Essa humidade das raizes e das árvores que tomam a forma do corpo e da memória

escondida nas mãos fechadas e firmes como uma convicção

 

A noite nas tuas mãos

nas tuas mãos fechadas há uma natureza que quer voar

que desvenda o segredo das coisas simples que permanecem sobre a água e sobre a pele

 

LOBO



publicado por relogiodesacertado às 23:06
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Seguravas a espuma do mar

Seguravas a espuma do mar e na margem dos teus pés o peso triste do mundo. Seguravas a espuma do mar e na margem dos teus pés e na pálpebra dos teus olhos o vento e a força que empurra a inexistência com sentido de nascimento e origem, com sentido de esquecimento e impulso de despertar.

 

Seguravas a espuma do mar. Trazias os navios à navegação das mãos que se perdem nas encruzilhadas...

 

lobo



publicado por relogiodesacertado às 16:04
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