Domingo, 30 de Outubro de 2005

...

Era deserta a cidade… mas nem lábios, nem olhos, nem sei se pedras a fazer silêncio nas palavras.

Nem olhos, nem gestos, nem sei se pássaros atrás dos homens revelando o amor.

Era deserta a cidade… nem olhos, nem lábios, nem sei se um brando fogo na margem estreita do rio.

Era deserta a cidade… nem olhos, nem lábios, talvez grãos de terra e pétalas de flores.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem gestos, nem sei se um fio de água no murmúrio ausente dos ventos.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem olhos, nem sei se vidros a cortar as veias á água do rio.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem olhos e nem sei se firmamento para os pássaros vagabundos dos homens.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem fome, nem sei se vontade de morrer fazendo a eternidade do amor.

Era deserta a cidade… nem olhos, nem gestos, nem sei se asas a bater os corpos inertes dos soldados.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem olhos, nem sei se firmamento trocando estrelas por palavras.

Nem lábios, nem mãos, nem sei se a sombra das árvores abrigando o amor dos ausentes.

Era deserta a cidade… nem céu, nem pássaros, nem sei se imensa solidão fazendo nascer água na sede de um imperfeito amor.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem voz, nem sei se sombra para o intimo desenho da noite.

Era deserta a cidade, nem olhos, nem gestos, nem sei se um calor de pão oferecida ao viajante sem raízes.

Nem lábios, nem sede, nem sei se espuma levantando a ave á cegueira dos olhos.

Era deserta a cidade… nem olhos, nem lábios, nem sei se longe o caminhar dos dias.

Nem olhos, nem lábios, nem sei se muda transpiração nos corpos invisíveis onde se faz o amor.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem olhos, nem sei se barcos deitados na memória de outro mundo.

Nem olhos, nem mãos, nem sei que distancias cruzadas nesses caminhos de pedras e sentimentos vazios.

Era deserta a cidade… nem olhos, nem sombras, nem sei se árvores embalando as criaturas adormecidas da noite que inspirada nos foge.

Era deserta a cidade… nem água, nem morte, nem sei se desilusão no profundo tentar da vida alternativa dos poemas.

Era deserta a cidade. Nem olhos, nem lábios, nem sei se luz se mostrando sangue na presença dos espíritos dos nossos entes vagabundos.
Era deserta a cidade… nem lábios, nem gritos, nem sei se alguma vontade atada nas mãos para a urgência sexual dos corpos.

Nem olhos, nem lábios, nem sei que esperança irá atravessar o sono dos que persistem em existir alem dos objectos concretos da nudez permitida.

Era deserta a cidade, nem lábios, nem olhos, nem palavras. Sabemos que um Deus ressuscitou para o sentido das causas perdidas.

Era deserta a cidade… nem lábios, nem gestos, nem sei se olhos profundos para o desejo de ficar em ti absoluto ser que ao penetrar-te te faz sentir o prazer incompreensível do mundo.

Era deserta a cidade… nem olhos, nem lábios, nem sei se fogo, completando os gestos das mãos sobre a terra mulher, na dança executada da tribo dos anjos bichos.

Era deserta a cidade.

Lobo 30 de Outubro de 2005
publicado por relogiodesacertado às 19:12
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