Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

olho as cegonhas e os campos de arroz

Olho as cegonhas e os campos de arroz que parece que germinam dos olhos de quem sente que neles entra o azul. E toda esta respiração, todo este vento, esta luta entre o pão suado e a prosa aberta no corpo de uma solidão que ainda não se adivinha o motivo. O sofrimento que para o homem poeta é uma inspiração que o faz transformar o lodo das águas em águas transparentes. Essa barreira da vida quotidiana que o esforço do outro homem, esse metido em partos da terra, apenas vê nascer uma certa redenção nalgumas horas de dormir e ingerir amargas bebidas fermentadas. Dificil é distinguir o pobre guardador de métaforas do pobre fazedor de preces praguejadas nas rochas escarpadas de uma certa desilusão de vida. Olho as cegonhas, o comboio que tarda em me levar á cidade. Um grande furacão assolou a grande América, arrastou águas, ventos, uma certa ira própria do tempo que persiste habitar o guerreiro eo pastor.
Chega o comboio, ainda sopra o vento e é nessses olhos de arroz que o horizonte se abre a um novo deslumbramento arrancado á terra.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 20:41
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005

...

A lua era de um vermelho forte, parece que o gume de uma faca a tinha perfurado. Ela ali estava reflectindo o pavor dos homens, pondo á vista o instinto criminoso de certas criaturas. O gelo estava-se derretendo no wiski, parecia o dia se derretendo no espaço reservado á noite. O irmão da rapariga que fora encontrada morta com semén nos olhos estava sentado na ponta de uma mesa de bilhar, tirou do bolso uma fotografia e era assim como tirar uma carta viciada do bolso.
- A morte é uma carta viciada, tiramos á sorte, desde que nascemos que estamos destinados. É um impulso, nós num instante sacamos ou uma lágrima ou um sorriso.
A sala do bar está escura. Caminhando num passo lento entra alguém, é o novo morador da rua das lágrimas com chuva.
- Você está a falar sózinho.
- Como entrou?!
- Tinha a porta encostada.
- Estamos fechados!
- Só estamos nós e o frio
- Bem! entre e sirva-se de um pouco de conhaque.
- Posso tirar um café?
- Sabe usar a máquina?
- Sei, já trabalhei num bar em Madrid.
- Tire dois, para mim pode ser forte.
- Você já reparou num homem que anda de gabardine a vasculhar nos caixotes?
- Sou capaz de ter reparado, andam por ai tantos loucos que mais um menos um.
- Anda assim porque perdeu a memória.
- Assim pobre e sujo... perder a memória é como perder o sentido material do dinheiro, perdemos a memória e somos uns pobres de espírito.
- Um pobre de um inspector que veio substituir o falecido.
- Um morto a substituir outro.
- A morte da memória.
- Que se passou?
- Isso não sabemos.
- Já o levaram a um médico?
- Não sei.
- Talvez um bom psiquiatra o ajudasse.
- não acredito, essas pessoas são grandes manipuladores.
- Tudo isto é manipulador, o dinheiro, o amor a politica, a cultura...
- Acha?
- Foi assim desde o princípio dos tempos.
- Mas pode mudar.
- As democracias são ditaduras com outra maquiagem.
- Sabe uma coisa?
- Que é?

publicado por relogiodesacertado às 11:32
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chega uma sombra aos olhos

Chega uma outra sombra aos olhos
tu chegas de um lugar e contas das viagens
de quem fica velho e imovel
imaginando a memoria parasita das ruas a correr.

Chega aquela noticia
que precisa de sangue, a tragedia já não é suficiente
a primavera que não tenha sangue
não faz possivel os pássaros felizes.

Não basta despir-te a roupa
nem a chuva para o ritmo dos teus pés
a melhor musica vem de experimentares o medo
das coisas novas.

Essas coisas impossiveis
que assim parecem de tão tristes
tão de confundir e de fazer sorrir

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 01:25
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005

...


agosto 23, 2005.::Metamorfoses::. (X)



… Abraçaram-se! Fiquei estupefacto, perante o que via! Aquela troca de carinhos não era de simples amigos mas sim do género de namorados, estava patente uma grande cumplicidade no seu tocar e no seu beijar.



Desci do muro, tentando fazer com que não me vissem e fui para dentro de casa, logo depois o João, entra em casa:



- Boa noite! – diz ele.







Eu nem reagi, nunca tive nada contra os homossexuais mas, vendo bem, não estava preparado para ver dois homens a se beijar. É esquisito, como podem eles beijar alguém do mesmo sexo. ERGHHHH!!! Nem quero pensar!



E sabia que o João escondia alguma coisa, o modo como ele olha é bem diferente, principalmente no modo como olho os homens. Já sei o que vou fazer para ver se descubro mais, vou fazer uma festa de verão hoje.







- Bem pessoal, tive uma ideia e têm todos que alinhar!



- Sim, diz! – Dizem eles.



- Vamos ter, cá em casa, uma festa de verão. Assim com muita música, muita dança, a nossa loucura natural e um pouco de bebidas e sumos!







Como todos acharam boa ideia, começamos a organizar. Dividimo-nos por grupos os rapazes trataram de organizar o bar e as raparigas a parte da música.



Foi uma noite demais, como fiquei a tomar conta do bar pude tomar controlo de tudo o que se passava na festa. Fazia uns “shakes” com umas misturas do momento, shot’s e umas vodka’s, não me podia esquecer da Márcia, não pode beber por causa dos comprimidos eu próprio fiz os sumos para ela, até que se divertiu bastante e só lhe faz bem.



O João passou parte da noite sentado no bar, por vezes sentia-me incomodado, o olhar dele por vezes emanava desejo e não conseguia enfrentá-lo com um outro olhar. Bem começou a dar uma música que todos adoram e estão todos a dançar (menos eu que continuo no bar, tomo uma outra bebida, é melhor tomar cuidado já bebi que dá) e nem ligam a nada, o João entra para o bar e colocasse atrás de mim, toca-me nas costas e dá-me uma massagem, até que soube bem no entanto veio-me à cabeça o que vi lá fora e afastei-me um pouco.







- Dás-me uma bebida – diz-me ele.



- Sim, que queres?



- O que me queres dar? … quer dizer o que quiseres dar.



Tenho que admitir que realmente incomoda um pouco, pode parecer meio mal e que sou preconceituoso e eu não sou.



Preparo-lhe uma bebida bem fresca e doce, ele toma um pouco e gosta:



- Está bom… - Pisca-me o olho.







O pessoal estava cansado, e foram todos dormir, fiquei até mais tarde, bem mais tarde, fiquei a arrumar o que fizemos para no dia seguinte estar tudo pronto. Decido ir tomar um duche. Tiro a roupa e abro a água quente, um bom banho ia livrar-me deste cansaço e da cabeça meia zonza das bebidas que bebi.



Quando estou a tomar banho, alguém toca-me, que me apanha de sobressalto.



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 10:54 PM
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agosto 21, 2005.::Metamorfoses::. (IX)



- Podes dizer!



- Eu tenho depressão! E…



- Se quiseres não digas mais nada! Podemos falar quando estiveres preparada!



- Posso falar agora…



- Pareces uma pessoa normal, não diria que tens depressão, tenho uma ideia errada, talvez!



- Pois!!! Já sofro de depressão há 3 anos, tenho que tomar diariamente comprimidos sem os quais fico completamente descontrolada. O que viste ontem são pequenos exemplos do que posso fazer sem pensar… ESTOU FARTA!







(Começa a chorar)







Fico sem saber o que fazer, nunca estive numa situação destas. Digo algumas palavras de reconforto, para tentar acalmá-la:



- Vá lá, não chores. Uma rapariga tão bonita como tu não pode chorar.







Ela sorri muito suavemente e dá-me um abraço.







- Márcia, quero que saibas de uma coisa. Conhecemo-nos à pouco tempo mas podes sempre contar comigo! Sempre que penses em fazer alguma coisa que te prejudique, chama-me, procura-me e conversamos. Relaxamos e quero que contes sempre comigo.



- Está bem.







Descemos ambos e fomo-nos juntar aos outros. Houve uns comentários que nem liguei.







Por notar um clima pesado, fui até à rua. Fui para o muro e pus-me a olhar para o mar.



Aí como me faz bem estas férias! Longe de tudo e todos, no entanto muitas confusões têm acontecido e algo me diz que muito ainda falta por acontecer.







Entretanto vejo um carro a chegar, era o guarda que faz a vigilância à casa. Entretanto o João, o novo colega, sai de casa a correr e entra no carro e vão embora.







Durante todo o dia, decidiram todos descansar, eu aproveitei e coloquei o meu sono em dia.







O dia de hoje passou mesmo muito rápido.



Já à noite, venho de novo para a rua, olhar para a Lua e para as estrelas faz-me pensar em coisas essenciais.







Ouço de novo um carro a chegar, era de novo o vigilante e o João estava com ele. Vinham a falar pareciam muito cúmplices.



Saem ambos do carro com um ar muito comprometedor, olham para casa e de rompante, fazem algo que não estava à espera…



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 11:48 PM
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agosto 19, 2005.::Metamorfoses::. (VIII)



Não podia acreditar que alguém pudesse fazer o que os meus olhos viam.



Os braços da Márcia esvaiam-se, em sangue. Horrível!!! Não sabia que fazia, decidi sair dali mas manter-me alerta ao estado dela. Passados cerca trinta minutos ela passou, e foi para o quarto.



Fiquei ainda um pouco na sala a dar voltas ao assunto, porque é que a Márcia fez aquilo? Não é normal.







A noite passou e acordei cedo, a Márcia já estava na cozinha, estávamos sozinho, achei o momento ideal para falarmos:



- Olá Márcia! Tudo bem?



- Sim está tudo!



- Desculpa estar a tocar no assunto mas … ontem à noite eu vi-te no muro.







A Márcia ficou alertada, posso dizer que entrou num ligeiro clima de pânico, a tensão no nosso diálogo aumentou.







- Sim, eu gosto de ficar um pouco na rua à noite a pensar!



- A pensar? Ouve, sei que tens algum problema e quero-te dizer que podes contar comigo, mesmo me conhecendo a apenas dois dias!



- Estás parvo, comigo está tudo bem!



- Não faças de mim parvo, não me atires areia para os olhos! Se eu me ofereci para ajudar, podes confiar. – Levantei-me da cadeira e ia sair, já todo chateado.



- Espera … eu preciso de falar!



- Bom dia!!! – Chegou a Rute, interrompendo-nos a conversa.







Não acredito nisto, no momento em que ia saber o que se passava com ela a Rute tinha que chegar. Tal como ela desceram todos.







A Márcia saiu da mesa e foi para o quarto, pouco depois vou até ao seu quarto:



- Posso entrar?



- Um momento só, vou trocar de camisola! …Já podes.



- Podemos falar agora, se quiseres.



- Quero, preciso mesmo! Ontem à noite viste alguma coisa?



- Sim vi – Nesse instante levanto-lhe os braços da camisola, para elucidar-lhe do que tinha visto, ela baixou os olhos. – Porque fazes isso?



- Não sei…



- Toda a gente faz alguma coisa por alguma razão.



- Sim mas só dou por mim depois de já estar feito, eu não tenho noção do que estou a fazer no momento, é um modo que eu tenho de descomprimir tudo o que me vai lá dentro…



- Mas porquê?



- Eu sofro de…



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 10:45 PM
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agosto 17, 2005.::Metamorfoses::. (VII)



De rompante, puxo o relatório e deparo-me com o resultado que provoca em mim um tremor pelo corpo, cai-me uma lágrima que me percorre a face e lava-me a alma após tanto sofrimento. Soltei um grito de liberdade, o resultado deu negativo!







Saí dali, já tarde! Cheguei a casa cansado, tomei um bom banho e joguei-me sobre a cama. Dormi como já não dormia a tanto tempo, soube tão bem!







Acordei, bem cedo! Mesmo antes do galo cantar e fiz-me ao caminho, tinha que juntar-me aos meus amigos, estou cheio de saudades.







Quando cheguei lá, a porta estava aberta, fui até à cozinha e encontrei três pessoas diferentes:



- Opps! Desculpem!



- Não faz mal! Falou-me uma rapariga muito gira, alta, morena, olhos meios para o verde, cabelo preto ondulado, mesmo muito interessante! Nós, estamos cá a ficar havia ainda quartos vagos. Deves ser o Ruben, os teus amigos já nos falaram de ti.



- Pois sou! E vocês são?



- Eu sou a Susana, esta é a Márcia e ele é o João, somos amigos e vamos passar cá as nossas férias de verão.



- Cool, nós também vamos passar! – disse eu – bem vou até ao jardim, esperar que os outros acordem, gostei de conhecê-los, espero que a gente se dê bem.







Fui para o jardim. Pôs-me a pensar sobre estes 3 novos “colegas”, a Susana é mesmo muito interessante, no entanto há qualquer coisa na Márcia que não está bem, faz-se vestir por cores escuras, tem no olhar muita mágoa e dor, não sei nada sobre ela simplesmente sei que tem algo que a perturba. Já o João, é um tipo meio esquisito, mal falou, tem um ar muito comprometedor. No entanto são apenas ideias que estou a conceber antes de os conhecer, logo se verá!







Depois de um dia de praia, nem nos apetecia fazer o jantar, fomos a casa convidar os nossos novos colegas a jantar fora, aceitaram.



O jantar foi como todos os nossos convívios, muita brincadeira muito riso e deu para ver que o pessoal novo era acessível.







Chegamos a casa, já um pouco tarde, foram todos deitar-se com excepção da Márcia, essa foi para a rua e eu fiquei a ver um pouco de Tv. A noite estava fria e decidi ir ver se estava tudo bem com a Márcia, ela estava sentada no muro. Subi devagar as escadas, ouvi um choro, aproximei-me em silêncio e nem queria acreditar no que via, fiquei sem reacção.



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 08:46 PM
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agosto 15, 2005.::Metamorfoses::. (VI)



Parei o carro perto de uma falésia, sentei-me ali. Passei mesmo horas a fio ali sentado, arrancando do chão algumas pequenas ervas e atirando-as ao mar. Passaram-me mil e uma ideias pela cabeça, parecia que ia endoidecer.



O pior de tudo é que eu envolvi mais pessoas nisto, quando estive com a Cátia não usamos preservativo, que mais me pode acontecer?







Ergo-me completamente no cimo daquela falésia e simplesmente começo a gritar, tentando libertar-me de tamanho sofrimento e agonia que sentia dentro de mim.







Já sobre a manhã, sai dali com o carro e vou para a cidade. Passo por casa, deixo as minhas coisas, tomo banho e troco de roupa. Saiu de novo, vou fazer as análises, quanto mais rápido melhor.







Já estão feitas, foi horrível, os enfermeiros a olhar para mim com uma cara como se tivesse cometido algum crime. E na verdade cometi, poderei estar a abrir portas à minha morte e só porque não tive cuidado. Mas porquê? Agora pode ser tarde demais para pensar em me proteger!







A porcaria dos resultados só saem dentro de uma semana e meia, nem sei que fazer! O meu telemóvel toca vezes sem conta, tenho mensagens para ler sem fim e mensagens de voz a encher-me a caixa de correio.







(uma semana e meia depois)







Este tempo custou muito a passar e significa muitas noites sem dormir. Antes, nunca imaginaria o que seria estar nesta aflição. Vou até ao laboratório de análises mas não consigo sair do carro. Passei horas dentro do carro até decidir-me ir levantar as análises e conferir o resultado, que ditava a minha vida.







Não consigo abrir … Tenho medo do resultado …







Vou ter ao pé do mar, sinto-me bem ali. O mar consegue lavar-me a alma!



Começo a abrir o envelope, volto a parar…



De rompante, puxo o relatório e deparo-me com o resultado que provoca em mim um tremor pelo corpo, cai-me uma lágrima que me percorre a face…



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 07:37 PM
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agosto 13, 2005.::Metamorfoses::. (V)



Fiquei calado, por longos segundos, só depois consegui dizer alguma coisa:



- De certeza não faço o mesmo do que tu!



- Ruben, isto não é o que parece… - disse-me o David.



- Pois não é, nem tenho nada a haver com isso!



- David, então que se passa? – Ouço uma voz que me é bastante familiar. Nesse instante, aparece por detrás do David, quase nua trazia os seus seios igualmente desnudados. Nem quis acreditar … - é assim que és meu amigo, estando na cama com a pessoa que ainda mexe comigo. Tu sabias de tudo.



- Ruben, foi sem querer! Foi um impulso…



- Está tudo bem David, vai lá, continua. Quero estar sozinho.







Fui para o meu quarto, foi mais uma noite em branco. Já nem sei para que fico assim.







Esperei, impacientemente, até que o sol nascesse. Pôs-me a pé, tomei um banho e fui preparar o pequeno-almoço, depois íamos sair mas eu fiquei em casa, disse que tinha dormido mal a noite e que queria descansar.







Porra, parece que os Deuses estão contra mim, que mais me irá acontecer!? E nesse instante o meu telemóvel toca, deixo-o tocar mas como a insistência é muito apanho-o, no visor vejo que é a Marta:



- Estou Marta, tudo bem?



- Já estive melhor Ruben. Tenho que falar contigo, é urgente. Onde estás?



- Eu estou no Norte, não dá para ser mais tarde?



- Não, tem que ser mesmo agora, mas eu falo por telemóvel …



- Está bem, fala!



- Eu fiz exames …



- Estás Doente?



- Não … quer dizer Sim. Ruben, fiz exames e o resultado foi positivo!



- Estás grávida, Marta. Parabéns! Isso é óptimo, é uma dádiva de Deus, todas as mulheres querem!



- Não!!! Não me estás a perceber. Eu sou Seropositiva … sou tua amiga senti-me na obrigação de te avisar.



Não, não pode ser! Que mais me iria acontecer? É uma coisa, bem pior do que a outra.



- Quando descobriste?



- Na semana passada. Mas para dar positivo no teste, foi pelo menos há 3 meses e nós estivemos juntos há 5 meses atrás, faz um teste.



- Está bem, Marta obrigado…



Desliguei a chamada. Agarrei nas minhas coisas, meti-as no carro e saí dali, completamente desnorteado.



Quando os outros chegaram a casa simplesmente depararam-se com um bilhete meu dizendo que me tinha ido embora e que voltava quando pudesse.







Tenho medo! Tenho mesmo muito medo do resultado! Até tê-lo não sei que farei da minha vida.



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 09:53 PM
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agosto 11, 2005.::Metamorfoses::. (IV)



- Ruben, Cátia! Venham jantar! – chamou-nos o David.



- Já vamos! – disse a Cátia, levantando-se como que fugindo do assunto e deixou-me ali sozinho na rua.



Nesse mesmo instante o Miguel acercasse de mim: - Não devias fazer o que fazes! Estás a sofrer…



- Pois não devia mas ela já faz parte do passado, foi assim que ela escolheu e é nesse lugar que vai ficar! Agora tu…



- Eu o quê?



- Pensas que não tenho reparado como tens andando? Muito pensativo, muito calado, triste, falta-nos um sorriso teu, que é feito de ti? Que tens?



- É melhor irmos jantar! – Levantando-se e sai de forma muito esguia!







“Irra” que toda a gente hoje me foge das perguntas, parece que ando a perder as pessoas por entre as minhas mãos.







Nessa noite, não jantei! Não consegui, fui mais cedo para o meu quarto e peguei no meu livro, pus-me a escrever como um doido. Escrever lavava-me a alma, parecia que limpava todo o meu eu, podia colocar por palavras o que sentia e me fazia agoniar!







Já se fazia tarde, e deitei-me… uma noite mais não conseguia dormir, fui para a rua e deitei-me sobre o muro, o fresco da noite percorria todo o meu corpo, enquanto via as estrelas, caiam sobre mim algumas gotas de orvalho que usaram o meu corpo como palco para dançar.



Agarro no meu corpo mórbido e “arrasto-me” até o meu quarto, ouço ruídos num dos quartos; no quarto do David, pareciam gemidos. Fiquei parado um pouco no corredor e quando me dirigia para o meu quarto abre-se a porta do quarto do David, não tive tempo para entrar no meu quarto…



Simplesmente, uma voz que rasga a escuridão do corredor, que me diz:



- Que fazes aqui?



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 11:23 PM
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agosto 09, 2005.::Metamorfoses::. (III)



Quando íamos para o carro, puxei-a pelo braço. Tínhamos que conversar, depois da noite de ontem as coisas não podiam ficar assim.



- Tas parvo? Deixa-me! Vamos embora que eles estão à nossa espera!



- À nossa espera? Ou à espera que essa tua birra te passe? Que se passa contigo? A noite de ontem pôs-te assim! Não te obriguei a nada.



- Eu sei! Fiz porque quis mas foi só uma curte!



- Uma curte??? – passei-me! Não gosto de curtes, o que aconteceu ontem tinha sido por ainda gostar dela, foi um erro termos acabado!



- Sim, uma curte! Não posso estar mais contigo, já não significas nada! Lamento.



- Lamento, muito bem! As tuas palavras tocam-me imenso, nem queiras saber…se ontem envolvemo-nos, melhor se ontem me deixei envolver contigo foi porque ainda sinto alguma coisa por ti.



- Ruben o mesmo não se passa comigo, acabamos e foi mesmo o fim. Eu gosto de outra pessoa, vamos embora que os outros estão à nossa espera.




Nem acredito no que ouvi, ela não era assim mas pronto, paciência.







[ (Cátia) Que burra que sou! Porquê? Porquê é que eu lhe disse isto! Foi melhor assim, gosto de outra pessoa e não posso estar sempre dividida entre os dois. ]







A tarde passou-se! O David finalmente começou-se a fazer à Rute, já não era sem tempo e o Miguel continuava muito pensativo, tinha que falar com ele mas não sei como. Passamos no final da tarde pela praia, e eu bem via o olhar da Cátia para os carinhos que o David fazia à Rute, será que é dele que ela gosta? Não pode ser! Eles não se suportavam, andavam sempre a discutir por terem ideias completamente opostas. Ou será que o parvo aqui sou eu?







Não me precipitei, fomos para casa e enquanto preparava o jantar procurei-a pela casa toda, precisava de falar com ela. Havia coisas por esclarecer…



Encontrei-a no jardim.



- Posso?



- Claro que podes!



- Desculpa, sei que já tratamos deste assunto mas hoje pela tarde reparei no modo como olhavas para o David, esse teu olhar…



- Que queres dizer com isso agora controlas-me!?



- Não, simplesmente quero esquecer-te como hoje ficou bem assente, entre nós, e para isso quero que me respondas com toda a sinceridade, como sempre fizeste, é do David que gostas?



O nosso diálogo ficou congelado! A Cátia procurava no meu intimo a resposta para me dar, talvez uma resposta que ela nem sabia ainda, eu aguardava impacientemente, até que ela agarrou-me na mão…



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 01:15 PM
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agosto 07, 2005.::Metamorfoses::. (II)



(Uma semana depois)







Foram todos ter com o David para o Norte da Ilha, decidiram passar as férias juntos e assim seria, fosse como fosse.



Haviam chegado à casa onde iriam ficar já pela tardinha, estavam estafados e decidiram descansar um pouco enquanto esperavam pelo David.



O David chega e entra pela casa, vê os amigos deitados no sofá e dá um grande berro para assustá-los. Como era o seu primeiro dia por ali decidiram ir jantar fora. Como já era de esperar sentaram-se aos parezinhos: Ruben com a sua amiga Cátia, David com a Rute; por quem constantemente se babava e o Miguel com a Susana.



O Miguel andava esquisito, parecia um pouco perturbado mas os seus amigos nem tocavam no assunto.



- Vou à casa de banho, já volto – disse o Miguel.



- O Miguel anda muito esquisito! – disse eu depois dele sair.



- Não anda nada, impressão tua – retorquiu a Rute – talvez arranjou alguém ou está apaixonado.



- Olha ele vem aí, deixemo-nos de “cenas” porque ele não gosta disso – rematou a Susana.



Passaram grande parte da noite a rir e a reviver os tempos mais antigos, que passaram. Como já se fazia tarde, foram para casa.



- Bem “people”, amanhã temos que acordar cedo, vamos dar um “giro” por aí, ok!? – alertou o David.



Foram então todos dormir, dei voltas à cama que até perdi a conta. Estava uma noite quente e abafada, fui até à janela do meu quarto e fico ali contemplando o luar. Entretanto fiquei com sede e desci até à cozinha para beber água fresca. Ao lá chegar deparo-me com a Cátia, com um short bastante curto e uma camisola transparente, tudo muito provocador.



- Olá, por aqui!? – disse eu, admirado!



- Sim não conseguia dormir, vim então beber água!



- Pois eu também não conseguia dormir! Está muito calor…



Cátia dirigiu-se até ao armário, ficando de costas para mim, vê-la ali como estava deu-me a volta à cabeça, apetecia-me agarra-la e possuí-la ali. Pronto não resisti, fui ao encontro dela e toquei-lhe nos ombros, era tarde de mais para voltar atrás, envolvi-a em meus braços e voltei-a para mim, tomo-a com um beijo de rompante, a nossa troca de fluidos era intensa, ela começa a tirar-me a camisola e as suas mãos percorrem-me o corpo, a minha libido começa a aumentar e com ela a vontade de concretização do acto aumenta também. Já, completamente, nus, deito-a sobre a mesa e muito suavemente há à concretização do que já esperávamos a algum tempo, ela suspira de prazer e agarra-me nos braços com força, como que suplicado por mais. Foram momentos quentes que foram quebrados pelo nosso gélido até manhã indo dormir cada um para o seu quarto, tivemos sorte em não sermos apanhados.



Chegou a manhã e todos acordamos como combinado mas a Cátia estava diferente, fiquei sem perceber o porquê.



(…)




:: Postado por Anjinho & Companhia em 11:43 PM
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agosto 06, 2005.::Metamorfoses::. (I)



- Bom diaaaaaaaaaaa Mundo!!! – Acordei eu bem disposto – Bom dia Férias! Adeus Aulas! Olá AVENTURA!







Finalmente as férias de verão chegaram, após meses de cansaço é chegado o momento do verdadeiro descanso. Ruben levantasse da cama e abre a janela do seu quarto, olha para a casa ao lado para ver se vê a Cátia, sua amiga. Entretanto a campainha, toca…



- Eu vou! – Ao abrir a porta, o sol entra pela casa dentro e bate-me na cara, tento ver quem é que ali estava, apenas via uma miúda de bikini e um pareo cobrindo o seu belo tronco. Olhei melhor e vi que era a minha vizinha, a Cátia.



- Vamos para a praia??? – Disse-me ela.



Bem era irrecusável a proposta – Claro!!! Entra, já tomaste o pequeno-almoço? Eu tenho que apanhar as minhas coisas.







Já conheço a Cátia, há cerca de 4 anos, desde que me mudei para cá! Já fomos namorados mas agora ficamos por uma amizade bem consolidada, é bem melhor assim!!!







Vamos a sair de casa, entramos para o carro e ela liga o leitor de cd’s:



“So lately, I've been wonderin
Who will be there to take my place…



…If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low
I'll go wherever you will go”







Bem foi um mau momento, esta era a nossa música, quando namorávamos mas passou-se, sorrimos ambos um para o outro. De casa até à praia foi um ápice. Encontramos por lá o David e a Rute e ficamos mesmo por perto deles.







- Então pessoal, está tudo bem com vocês? – disse eu.



- Ya! Está tudo bem, já tinha avisado à Rute para vos ligar, os outros devem estar a chegar, o Miguel foi buscar a Susana.



Sabem eu vou, sair da cidade estas férias!







- Quando?



- Para a semana que vem! Nem acredito que vou perder tudo o que combinamos.



- Não te preocupes para tudo há solução…vamos ter contigo, que achas!?



- Olha vamos até à água, já voltamos – dizem-nos a Cátia e a Rute.



- Não te babes David! Vamos tratar de outros assuntos agora, mais tarde tratas da Rute (hehehe). Que achas que passarmos então todos juntos, refazíamos os planos das férias!



(…)








:: Postado por Anjinho & Companhia em 11:56 PM
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agosto 05, 2005Caminhos...



Férias de Verão...
6 Amigos...
E muita "loucura"...



Este é o novo "projecto" do Blog.



Eles são 6 amigos que passam umas férias, das quais não se vão esquecer, juntos.



Muito há para acontecer, não percas em breve a aventura destes 6 jovens....







BREVEMENTE EM ANJINHO & COMPANHIA




:: Postado por Anjinho & Companhia em 10:38 PM
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julho 31, 2005Adeus...











Abracei-te…



Foi o último abraço, o nosso último sentir.







– “Adeus” – Palavra tão fria e cruel mas foi assim que o destino escolheu e não há nada a fazer.







Viraste-me as costas e começas-te a caminhar no sentido oposto ao local que estava. Nesse momento senti uma faca trespassar todo o meu corpo, cortou o meu coração em dois, mesmo assim não havia sangue para deitar, a frieza da nossa despedida gelou-o.







Agora, não há nada a não ser, recordar todos os bons momentos que passamos juntos e lutar por mais uma etapa da minha vida!!!!







Adeus...




:: Postado por Anjinho & Companhia em 01:24 AM
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.: *Sobre mim* :.


Eu sou uma pessoa completamente normal, que gosta de expressar-se neste blog. Todos os meus sentimentos são aqui retratados, como um pintor quando agarra num pincel e desenha sobre uma tela. Eu não sou ninguém...como todos os outros caminho no sentido da felicidade, o pior são os buracos que encontramos de vez em quando... Espero que gostem desta parte de mim, que é escrita.



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publicado por relogiodesacertado às 17:31
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

a tua boca

A tua boca no orvalho humido das mãos... corre o cavalo a galope e alguém fica triste a tentar inventar outra esperança Que sabor tem este novo pão, não sei se uma nova guerra pode nascer do cansaço de andar desiludido sobre a terra A tua boca linha dos lábios na curva desta terra sedenta. Agora a noite é outro segredo. Ainda és tu essa violencia do amor no sabor do pão e da flor que é a navegação das palavras nos olhos, nos pensamentos na ausencia dentro das pedras e das gentes dentro das casas. lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 19:15
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Domingo, 21 de Agosto de 2005

pasto suave

Y es allí, en ese pasto suave
de la obsesión a punto de revelarse,
donde el sonido y la furia del mundo
se atenúan
(tanto como costó acomodar el dolor:
un territorio chico
con un arroyo seco y un caballo)

Y es tan delgada la luz, la diferencia,
que puede oírse el golpe de la muerte
del amor,
mucho antes que los cuerpos se
separen, se bañen
y vayan hacia la vida bajo una luna despareja.

Como un barco en la noche
y la imaginación
que abandona la partida.








Poemas del Libro: Bulgaria
Paulina Vinderman

publicado por relogiodesacertado às 18:15
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...





●Sabia que se viver no Algarve e necessitar fazer um ecodoppler(exame) aos vasos do pescoço e tiver como subsistema de saúde a ARS terá de se deslocar a Lisboa, caso contrário, paga perto de cento e vinte cinco euros porque não existem acordos para esse exame em nenhuma Clínica algarvia?

●Sabia que se viver no Algarve e necessitar fazer uma ressonância magnética poderá fazê-la pagando no acto cerca de duzentos e cinquenta euros, independentemente se é isento ou não? Se for isento e contemplado com a "choruda" reforma que é atribuída a quem trabalhou uma vida por conta de outrém(sim, porque se o subsistema de saúde é outro a conversa também é outra) terá de levar o dinheirito da reforma de um mês mais a parte de outra, nesse período de tempo não comerá, poderá recuperar essas refeições quando for reembolsado daí a seis meses ou mais(se for).

●Sabia que em Abril um Centro de Saúde pode marcar uma consulta para finais de Julho?

●Sabia que se estiver em Tavira e precisar dos serviços de Urgência do respectivo Centro de Saúde não poderá ficar doente nem ter qualquer acidente entre as 00h e as 8:00h do dia seguinte?

Poderia continuar: sabia que, sabia que... mas depois iria ocupar muito espaço e a leitura ainda ficaria mais monótona...





Publicado por bgaivota

publicado por relogiodesacertado às 12:09
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no olhar da cidade

Vou subir no olhar da cidade
ela foi o arco-iris
e eu não sei descrever
tanta maravilha.

qual foi a espada
que madrugada fugiu
assim um espelho da vaidade

vou subir no olhar da cidade
um dia só um corpo vai sobreviver

talvez o teu
talvez o de alguêm
ai perfume
talvez o arco iris
seja em nós o cheiro de Deus.

Vou subir no olhar da cidade
e depois fazer um canto
fazer um fogo

Eu não sei quanto
é preciso testemunhar
que além de um beijo
há um luar

Há tanto mar
tanta maravilha
uma ilha, filha da solidão.

E depois vêm o amor
e outra coisa traz
outras horas, outros momentos
talvez a noite
a cantar o sentimento
que não sabemos dizer.

Angelo
publicado por relogiodesacertado às 03:28
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Sábado, 20 de Agosto de 2005

...

Puxando a brasa ao meu tofu...

(lince ibérico...liiindo!)

---Gente com a minha profissão, i.e. bióloga, é muito mal tratadinha pelo nosso país...
---Primeiro há os que acham que somos uns privilegiados por estudarmos coisas giras ( e não suámos as estopinhas para lá entrar e acabar o curso, que ideia)...
---Depois há tantos anúncios de empregos para biólogos no jornal como anémonas no Sahara...
---E depois, as áreas de estudo financiadas variam com a moda e arrisca-se a deixar um estudo a meio por causa das tendências para o próximo Inverno - vão haver mais ou menos gripes? Menos? Ah então se calhar estudávamos antes as tuberculoses que dizem? A tuberculosezinha cai tão bem agora, então até aquela princesa do Mónaco usa, estava com uma na última Caras, que eu até vi!
---Também há os engraçados que acham que biólogo significa uma de três coisas: 1) fazedor de clones; ou 2) fazedor de transgénicos ou; 3) Doctor Livingstone que aparece na National Geographic.
---E the last but not the least, a afirmação que mais fustiga todo e qualquer aprendiz-de-biólogo ou biólogo-já-com-as-partes-todas: «Mas isso não dá só para dar aulas?!?»
Face a esta frase, apetece-me imediatamente reclamar todos os Ben-Ur-Ons e Aspegics que a pessoa possa alguma vez ter tomado, juntamente com os Bifidus e Actiméis e perguntar: e estes quem os fez, hmmmm???? (com o dedo espetado) Foi Deus Nosso Senhor? Nao, esse fez os biólogos e esses é que fizeram estas coisinhas redondas miraculosas que você enfia para o bucho quando está doente. Frase mais irritante que esta não há.
---É por causa desta ignorância que vejo muitas mentes brilhantes a quererem ir fazer carreira lá fora num sítio onde se sintam mais compreendidos (A.K.A. financiados, que os micróbios também não se podem cultivar no frigorífico ao lado do guisado), e Portugal vai ficando cada vez mais pobre.
---Todas as pessoas nesta área estão cá porque a adoram, o que não se encontra facilmente hoje em dia (perguntem a um limpador de WCs do Festival Sudoeste e vão ver), e isso leva-as a fazerem bem o que fazem, quando lhes dão oportunidade para o fazer.
---------Eu, por mim, ADORO BIOLOGIA!
posted by Ana at 10:06 PM 0 comments

Quinta-feira, Agosto 18, 2005
publicado por relogiodesacertado às 11:04
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2005

...

histórias do cinema piolho
Gostava de fazer um filme... mas fico-me pelo gosto, pela tentativa de me imaginar a filmar a outra parte da vida, converter um homem sujo que cheira a merda de esgoto no mais candido anjo que me leva pela mão a escutar o som das caixas de musica e a guardar debaixo da lingua o sabor do vodka e do sangue pre menstrual. O meu medo, o meu terrivel medo de tudo seria o suficiente para me libertar do sentimento de culpa, criaria personagens do mais fraco que a condição humana oferecesse e tu olhando os olhos deles, o andar deles, a lingua que falam e o coração que lhes treme verias em mim o Deus que não sou, o cavaleiro invencivel a cortar medos como quem corta cabeças. Quando posso vou ao cinema. Lembro-me do cinema piolho que ficava no bairro do bosque, lembro-me que o ecran era um lençol velho e que num certo filme de aventuras as pulgas saltavam como as ondas do mar. Ficava tão embebido no filme que nem sentia as picadas perfurando-me a pele, no velho cinema lembro-me que ficava com o corpo preso á cadeira quando passavam aqueles filmes indianos e eu imaginava uma alma perfumada a tocar-me num modo de não me tocar. Naquela altura o cinema era só um pacto com a minha imaginação, a senhora que voava no chapéu de chuva era tão jovial e alegre como a moça que vendia algodão e mostrava as meias de seda aos olhares gulosos dos pequenos pedreiros que se roçavam nas cadeiras fantaziando coisas que não estavam no filme. A primeira vez que a paixão me entrou na vida como rebuçados entrando no bolso tinha eu 17 anos, eu não costumava falar com os meus pais, a minha vida era muito secreta, escrevia poesia em folhas de papel pardo que roubava na mercearia e encontrava-me ás escondidas á porta do tal cinema piolho com o caderno dos poemas debaixo do braço e ela depois achava-me um chato, eu que tinha medo de a magoar com o prazer escondido dos meus desejos e ficava semanas a remoer porque carga de água não a tinha beijado. Na próxima vez o argumento ia mudar, as minhas mãos no seu corpo, mesmo que corresse o risco de levar um estalo, parecido ao gongo que certo homem semi nu toca antes de começar o filme. Anos mais tarde num outro cinema da cidade fui com o meu pai ver o que dizia ele ser um filme pornográfico, o senhor chamava-se pasolini, o meu pai era um homem severamente católico e só os primeiros anos da revolução fizeram cair uma certa rigidez de comportamento, aquele filme eram as mil e uma noites, umas mil e uma noites onde me imaginava num tapete com as freiras do colegio da cruz da areia, eu a fazer sexo com elas, a esfregar-me no corpo delas como batatas na gordura do óleo. Costumava refugiar-me no cinema quando fazia gazeta ás aulas, sabia muito mais sobre a vida dos actores e dos realizadores do que a matemática e as formulas quimicas e aqueles nomes todos das ciencias naturais que tinha de decorar. O corpo da sofia loren era a melhor das ciencias naturais. O cinema era aquela parte visionária da minha poesia, usava um sobretudo cheio de remendos, nos bolsos guardava caixas de medicamentos, na escola trocava cromos de futebol e diferentes marcas de drunfaria. Certa noite fiquei escondido na sala de projecção, passei a noite a dormir, eu e o projeccionista que tinha trabalhado num circo italiano, contava que tinha conhecido felini, que tinha doze mulheres e que já fora forte como hercules. Havia tardes, principalmente as de inverno em que só havia eu e meia duzia de gatos pingados, havia um tipo que cheirava ao chulé e quando o homem da lanterna o quiz expulsar jurava a pé juntos que era o charlot a causa daquele cheiro e o pessoal assobiava comentando que também era o charlot que se punha aos peidos por causa de comer os atacadores. O meu pai trabalhava numa fábrica onde se fabricavam peças para o interior dos comboios, por a tal fábrica ter fechado fui viver com a minha avó para uma zona muito perto da espanha, fiquei um ano sem escola e lembro-me de passar por lá um homem com uma caixa de musica e uma máquina de filmar, nesses dias a igreja do lugar ficava vazia e houve até um certo domingo de páscoa em que não houve a paixão de cristo, mas a paixão de gina, conto ainda que levei uma tareia da minha avó, uma mulher que tinha lutado contra os mouros ainda Deus não tinha ideia de filmar o mundo. O cinema não seria a minha vocação embora me imaginasse a filmar as nuvens, a filmar o teu corpo como uma pintura de Miguel angelo, filmaria os meus eus carregados de solidão, estava chateado da minha poesia, resolvi inscrever-me num grupo de teatro, tudo era do pior, o encenador que naquele tempo era chamado de ensaiador era cheio de tiques, era um anjo loiro a dar ao rabo e a escrever piadas mais mal cheirosas que o cu. O divertido daquilo tudo foi a minha primeira experiencia como saltimbanco, se conseguisse estar a fazer o pior cinema já ficaria contente, mas sabia de muitos filmes que tinham sido peças de teatro e muitos livros que eram costurados de vida. Por alguns momentos podia escapar á autoridade paterna e não teria de ouvir a minha mãe sobre a apresentação dos meus cadernos repletos de recortes poeticos, eróticos e herejes. O cheiro do velho cinema, a recordação do velho televisor a valvulas que não se aguentava nas canetas e o meu pai a dar murros na mesa por não conseguir ver o futebol parecia eu um personagem orfão num filme de pobrezas e gargalhadas, eu magro e esguio como um desenho animado. Foram muitas recordações do cinema que consolaram a minha fome de pão. A fome de charlot era a minha fome, a lágrima de busten keaton, era a minha lágrima. Agora sinto que o cinema não me envergonha da minha solidão. Vejo o cão sarnento e escuto o martelar da chuva e parece que aquela serenata se renova passados estes anos. O cinema essa alma que existe em todos os olhos, ajudou-me na construção de uma certa e protectora mentira que me salvou o ego e o orgulho. Lembro-me de ser o cinema a máquina de apagar medos, cada murro que o trinitá dava no bandido era eu a imaginar-me a bater no velho professor que dormia com a cabeça sobre a secretária e por cima daquela cabeça de porco, um cristo nu a chorar e a verter sangue. Abençoado trinitá que te vingas por mim, acho que terei poupado muito dinheiro em psicanalistas e psiquiatras, mas verdade verdadinha o trinitá deixou mal a minha reputação de intelectual. Os musculos e a força desse heroi na verdade não me ajudaram a esquecer as humilhações da escola, da familia, do mundo social. Tentei escapar pela porta do riso, pocurei na filosofia e mais tarde num certo tipo de cinema compreender como era possivel filmar a poesia, como o cinema é um jogo, morre-se qundo se perde, ganha-se quando se renasce. Gostava de morrer na escuridão de uma sala de cinema, certa noite sonhei que o Marlon brando estava a puxar-me e me mostrava o lodo que havia nas almas e eu gritava-lhe que tinha um medo pavoroso de um certo tio que se lambuzava desde os olhos aos pés, parecia um mafioso, um homem que desejava poder apagar da mémória. Os cinemas deviam ser como as igrejas, a gente podia lá ir rezar, quando fugi certa vez da tropa refugiava-me numa igreja, era uma igreja velha, os cabelos do cristo estavam a cair, tinha tomado uns comprimidos, via o cristo e a virgem com as caras desfiguradas, pareciam leprosos, perguntavam-me o que fazia ali e eu perguntava se havia vinho, se eles gostavam de cinema, se as cadeiras de madeira do cinema império tinham sido feitas por josé o carpinteiro?! Dormi por lá algumas vezes, outras ia a um velho cinema abandonado olhar uma cadela que tinha tido cachorritos e eu imaginava que eu era o vagabundo e ela a dama, um dia encontrei-a morta a ela e aos cachorros, tinha havido uma briga de traficantes de heroina, nessa noite chorei tanto que senti vontade de cortar os pulsos, senti vontade de correr todas as salas de cinema, de suplicar que me deixassem entrar num qualquer filme, que o velho hitch me deixa-se entrar na casa abandonada e eu pudesse morrer em paz. Estou aqui perdido nestes pensamentos, a imagem dos cães ensanguentados, dachuva torrencial, dos olhos dela que se cruzam com os meus como o relampago se cruzacom o céu. Foi breve o romance e longa asolidão e parameu consolo ficou a recordação de a possuir, de a ter nas minhas aventuras e fantazias, de ser um vagabundo de cinemas, de tendas de circo, ficou-me o consolo de ainventar sempre que as luzes se acendiam, o poderoso cinema acendeu dentro do meu corpo essa força, esses movimentos, essas imagens, canções e palavras flutuando como água no olhar dos personagens, neles estava aminha coragem a a minha cobardia. Sinto-me um D Quixote, sinto-me um velho mineiro buscando ouro, mas sou um pobre preto oriundo de umafamilia de escravos que nasceu com o dom para aimprovisação e que dança tão rápido como uma locomotiva ou como as multidões correndo velozes graçasávelocidade da máquina de projectar. Acreditava que a sala escura do velho cinema seria a minha casa, o filme esse não teria intervalo ou apenas um que fosse para te ir buscar. Por segundos sairia da sala e correria rumo a um futuro onde estarias com esses teus olhos pretos, dava-te as mãos e entrava contigo sorrateiramente ao som dos dias da rádio. Depois sentavamo-nos á mesa como uma família judia e o nosso avó tocaria violino ou fugiriamos do velho alcapone tão assustados como num primeiro amor em que nos sentimos entre o abismo e o paraiso. Tenho frio, visto a gabardine e penso naquela história que aconteceu em Lisboa do homem que matava prostitutas, uma delas foi morta naquele cinema onde uma vez dormi, Lisboa tem um silencio, as águas do rio dormem e respiram como os homens, há na verdade uma pausa na narrativa que faz mover qualquer coração, qualquer pensamento. Alguem desce umas escadas, uma sombra de suspense suspensa nos olhos... há um silencio, certamente não é dos inocentes.
lobo

publicado por relogiodesacertado às 15:53
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