Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005

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Numa poça de água o poeta bebedo e o pássaro morto. Foi naquele dia de chuva parecia um documentário sobre alguém que fugiu da vida. Numa poça de água o poeta bebedo e o anjo esfarrapado. Foi naquele dia, parecia um documentário sobre o outono do amor. Numa poça de água o poeta bebedo e o pássaro morto.

Começamos uma aventura, encontramos pedras no corpo e homens a pisarem-nos a memória

Foi naquele dia de chuva, parecia um documentário sobre alguem que fugiu da vida.

Numa poça de água o poeta bebedo e o pássaro morto.

De repente caiu um raio. O pássaro ficou bebedo e o poeta estranhamente morto.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 18:32
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Sábado, 24 de Setembro de 2005

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Estás a pensar que o poema particularmente aquele poema em que o adolescente se sente vazio como carapau sem espinha é um belo poema. Os adolescentes não escrevem belos poemas. Sabem belas histórias, tem optimos ardis de sedução mas a poesia deles é isco que não apanha peixe.
Aqwuele adolescente que fizer um belo poema certamente envelheceu muito, ficou muito tempo a olhar como mudam de posiçã aquelas coisas que estão fixas mas que tem o movimento que nós lhe damos quando ficamos concentrados a olhar.
Os adolescentes não sabem escrever poemas, não é nenhum caos, nós precisamos de ter onde cuspir, se cuspimos bem, ser o fato é limpo e a beboda for servida sem vestigio de detergente no fundo do copo, não será de mais elogiar que nos foi servido com surrealismo e descrição uma bebida genuina sem detergente no fundo do copo. Os adolescentes são pessoas muito verdadeiras. Nunca conheci ninguém que por este motivo não me desse segurança.
Se os velhos deixam de escrever poemas ficam adolescentes inuteis. O que é inutil não serve para limar os dentes, não nos coçamos com a mão inutil. Não saber escrever, não saber nada de cultura, não saber como é que a vaca escolhe a erva que come e o adolescente a erva que fuma não é nem grave, nem coisa de perigo. Mas se o adolescente escrever um poema como quem sabe fazer o nó á gravata vão reparare que o adolescente escreve de um modo tão vertical que parece um adulto em formato cómico. A poesia adolescente, certa poesia adolescente é assim como uma prolongada agonia, apetece morrer antes de se acabar de ler. Os velhos poetas perceberam que a juventude da poesia, o ar respiravel da poesia é não haver quem se arme em conhecedor. É não convencer.
Só o espectáculo existe para convencer.
A roupa e todos os acessórios esses sim servem para a exibição publica. A poesia é outro caminho. O publico não lê poesia para saber aquilo que lhe é mais facilmente servido no grande irmão. Há uma certa escrita adolescente que não inventa nada. Não é que seja preciso inventar muita coisa, mas o mais ridiculo e aborrecido é pegar emrima empilhada como tijolo ou fardo de palha e com todo este empilhado de frustrações alcançar a glória.

Os poetas sejam eles o que forem quanto mais longe e desapegados do saudosismo, que a poesia pode ser o fundamento criativo da ignorancia. De um modo geral a poesia adolescente é muito profissional e não é dada a rotinas desassumidas. Mas os velhos homens, os novos homens, os bichos domesticos, os bichos selvagens e outras criaturas sabem pelo menos que a poesia caso se coma também se caga.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 16:23
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2005

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Um passaro nos olhos, nos tristes olhos caidos sobre a palavra resgatada da multidao. Um p]assaro na nuvem humida dos olhos! A cria;ao do mundo tudo feito em silencio como uma pedra que cai dos l]abios que beijam. um passaro nos olhos. Temos o rio nos olhos. Um passaro no rio dos olhos!
Ao alto da montanha sobe o passaro dos nossos olhos ao topo da vertigem do mundo.

Um passaro nos olhos, nos tristes olhos. A lua tambem chora na noite dos passaros dos olhos.

No olhar veloz o passarodos olhos morto se levantou do coracao.

O passaro dos olhos a fingir quando fechamos as nossas maos. Uma certa ausencia que nos habita o pensamento. Quando chove parece que temos um passaro nos olhos invisivel e triste como um bocado de luz representando o Deus universal.

O passaro dos olhos, dos tristes olhos dentro de n]os, talvez uma fome por saciar.

Um passaro nos olhos escuros e iluminados como um trote de cavalo no peito cicatriz da terra que declama os versos da sua respiracao.

Passaro nos olhos, no cansaso destes olhos, nos tristes olhos caidos sobre a palavra resgatada da multidao.
publicado por relogiodesacertado às 18:41
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Sábado, 17 de Setembro de 2005

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Conta-me coisas dos livros que não estejam nas frases dos homens que sabes estarem nas vidas que são os dias de nada acontecer. Conta-me coisas antes que chorar seja a unica maneira de seduzir o teu corpo, aquilo que falta, mesmo quando não falta o amor ou quando falta fazer fazer de novo a mesma rotina de eu precisar da dor para fazer sobreviver o amor.
Conta-me coisas dos sitios pobres e das pessoas que por sofrerem não alcançam o arco irís.

Se eu precisar que me contes as histórias que reconciliam os homens e os livros e se essa luz do arco íris for a tua cicatriz, chegarei feliz ao gesto de me fazer passaro sublime. Diz-me quando chegar o navio, noticias e sinais de fumo. Falta-me ter tudo e não ter mais que pedaços do nada que o mundo mesmo sem me saciar é a história mais profunda do amor.

Conta-me coisas dos sitios pobres e das pessoas que por sofrerem não alcançam o arco íris.

Se eu precisar do vazio dos momentos e de saber as histórias que reconciliam os homens e os livros andarei fugitivo pela cidade anunciando que acendi uma estrela.

ps este poema dedico a uma pessoa que há muito tempo a esta parte merece todo o carinho, merece aquilo que me é possivel. na verdade muito do que tenho escrito tem sido provocado pelo seu incentivo e também por esta vontade de fazer a meu modo a poesia de construir a poesia de um modo melhor. um beijo
publicado por relogiodesacertado às 18:13
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2005

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Este país está oco
este país plástico
Este país é um sorriso tão falso como o sorriso de uma boneca barbie.

Este país está oco
este país faz rir
e tem aquele lado maluco que dá um ar sério á falta de juizo.

Este país está oco
este país está desafinado
este país tem pouco e mesmo o muito é um truque de enganar os olhos.


Este país está oco.
publicado por relogiodesacertado às 14:52
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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2005

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Perfilram consoantes e vogais e abriram fogo até a palavra sangrar. Mataram aquele jovem poeta porque o seu canto de amor era incomodo e afiado. Perfilaram consoantes e vogais á frente daqueles olhos gastos e abriram fogo incendiando espanto nos homens que transportavam a dor nos olhos das lágrimas dos livros. Mataram aquele jovem poeta e a partir daquele dia não foi o mesmo canto que levantou os homens e lançou novo vento á vontade dos pássaros a voar. Perfilaram consoantes e vogais e abriram fogo até a flor da terra se soltar.
Abriram fogo incendiando espanto nos homens que transportavam a dor nos olhos das lagrimas dos livros.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 17:48
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2005

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Gosto do cheiro do papel de embrulho, de misturar oleo de peixe e flores podres. A cidade acordou mexida de pés e mãos , dribles, rasteiras, carros velozes e cavalos nas casas de banho. É o grito do homem futebol, há policias e ladrões, pobres sentimentais que roubam por amor e outros que prendem por ciume. Gosto do cheiro do papel de embulho, meter ao bolso rebuçados e canções. A nossa pegagosa vida que se cola nas montras, no peito tatuado dos so0ldados. As putas nos cromos da nossa colecção, as meretrizes do nosso campeonato sexual. Gosto do cheiro do papel de embrulho, ver o merceeiro a roubar no peso tal Deus a roubar dias á criação. A cidade acordou mexida de pés e mãos, roubasse tão rápido e mais rápido se sai ileso. Entra-se na politica e não se estraga as unhas. A corrupção tem unhas envernizadas. Gosto do cheiro do peixe e de me sentar ao volante dos auitomóveis velhos e acender uma vela como fazem as beatas, masturbar-me e limpar-me na prata dos cigarros. . A cidade mexida de pés e mãos, os cavalos a correr e os homens a fugir e toda a gente a dormir.
Os livros são travesseiros, as pautas de musica , os cavaletes. As meretrizes da nossa cultura, o nosso papel de embrulhpo, os nossos ultimos dias, apocalipse de gargalhadas e vomitos.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 09:58
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Domingo, 11 de Setembro de 2005

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Aqui começa a viagem, linhas nos olhos, um céu muito claro e página a página a contemplação. Os teus olhos são doces, mas embora pareçam frios são doces e secretos. A viagem pelas montanhas, pelas folhas sujas dos cadernos. Não haverá ninguiém, talvez água nos poços, musica inconstante na memória, presenças supostamente invisiveis, mas não haverá ninguem que seja quente e se mereça sentir. Aqui começa a viagem, aquela ideia exacta de adormecer e não desesperar. Aquela viagem em que chegar ao fim parece uma eternidade, mas nem do amor desejamos a eternidade, queremos ter fome e morrer quando se atravessar no caminho a duvida e a ideia de questionarmos sempre o amor. Precisamos da incompatibilidade do amor. lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 18:23
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Vai pela rua aquele homem velho
tem aspecto de chuva e de pobre falam que parece Deus.

Vai sózinho como uma nuvem no vento
aquele homem aspecto de azul falam que parece um profeta.

Vai pela rua aquele homem velho
tem aspecto de chuva e de pobre falam que parece Deus.

Vai pela rua aquele homem velho
tem aspecto de solidão e de triste falam que parece o rio.

Vai sózinho como uma nuvem no vento
aquele homem velho tem aspecto da noite refugiada nos peitos.

Vai pela rua aquele homem velho
tem aspecto de chuva e de pobre dizem que parece Deus.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 15:51
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Sábado, 10 de Setembro de 2005

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Enquanto nos despimos como o rio que se despe para se entregar ao caudal das ruas estreitas sobre os corpos mal dormidos. Enquanto nos despimos como uma luz algures habitando o pensamento diluido na chuva e nas pedras fazemos a casa como se amassa o pão e se lança a alma á estrada. Enquanto nos despimos o fogo se deita sobre nós e a nossa pele arde como uma laranja acida debruçada sobre o sol.
Enquanto nos despimos como o rio que se despe e se despede dos homens parados e contudo fazendo a viagem dos dioas a dormir tapados pela terra.
Enquanto nos despimos, como o rio que se despe e se entrega como uma noticia na surpresa dos quartos e dos olhos que brilham e se deleitam pela falta das palavras imprecisas. Enquanto nos despimos, contemplamos as ruas e nos tornamos essas ruas eternos universos dentro dos oceanos e das pessoas. Enquanto nos despimos respiramos, sobrevivemos aquele medo de sermos sujeitos á aparencia dos agasalhos enganadores dos olhos.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 14:51
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