Terça-feira, 8 de Novembro de 2005

fim dos blogs

venho comunicar a todos os possiveis leitores que chega ao fim os blogs um homem não é um bicho e luzdamontanha. agradeço a todos aqueles que me leram. um abraço amigo do lobo
publicado por relogiodesacertado às 13:11
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Sábado, 5 de Novembro de 2005

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Um homem nunca é sozinho, tem a terra com seus frutos tão doce como a palavra dos amigos. Tem a chuva que traz o pão, o milagre do vinho quando todos estão sentados ao pé do fogo.

Um homem que vá sozinho pela estrada tem seus pensamentos e o calor de muitas recordações.

E é isso que faz a vida
e cada um é mais uma ave a encher de azul o céu.

Um homem nunca é sozinho, tem a terra com seus frutos, tão doce como a palavra dos amigos.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 15:46
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005

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Gostava de voltar a ver-te nua. Quando estavas nessa natureza pensava no título daquele quadro; nu descendo as escadas. A beleza que está implícita na pele, a sensualidade do corpo, a beleza do poema, da música, da pintura é de que nós sentimos que respira, sentimos que não pesa. Tocar o nu é iluminar, é acender com o gesto das mãos sem sujar, sem fazer sangrar. Gostava de voltar a ver-te nua. Quando estavas nessa natureza olhava o cão ladrando á lua e passava pela rua observando o pequeno catalão, o poeta, o pintor, aquele que representa a criança de todos nós, a fantasia elevada ao poder de exterminar a rotina, de exterminar o medo. Voltar a sonhar, a sentir o prazer da lama sujando as mãos, as cores, as formas, vidros, papeis, cartão, pôr as palavras ao contrário, fazer os peixes respirar a tinta, manusear o plástico da tinta das casas. Dançar com as figuras que flutuam nos muros, no chão, as figuras que representam estrelas e olhos. Voltar a ver-te nua e ter ainda aquela imagem do nu descendo as escadas. Seguir em viagem até ao estúdio onde o velho pintor recorta coloridos papeis, onde os molha no chá. Ele desenha nuvens com o fumo do cachimbo. Ele não tem fé religiosa, mas tem a fé que o faz pintar aquela capela com aquela virgem, com aqueles santos, com aquela luz como se aqueles raios de sol fossem os dedos dele desenhando, dando expressão a uma liturgia reafirmada de humanismo.
Na minha ilha terei malmequeres, olharei as mulheres e o amigo do louco pintor selvagem a repousar com a criança índia, a comer o fruto e a beber a água sem esforço de trabalho, apenas recebendo a oferta da inspiração que é energia que sobe da terra aos poros.
Voltar a ver-te nua, fingir que os meus braços são serpentes, enrolar-te como quem se despede para empreender uma longa viagem.
Olho a pirâmide, a caligrafia, a forma da pedra, do animal. O monstro engolindo letras e pautas, a cria rebolando-se com os ritmos, apanhando o eco das gargalhadas do primeiro momento da existência. Tomas comigo o doce licor. O carvão faz andar o comboio, tu completamente nua posas para que o rio te faça o retrato. Os olhos dos homens fizeram mil formas, mil modos de olhar, de transformar, de iludir em dozes narrativas de cinema a paixão.
Voltar a ver-te nua, mostrar-te o bar, o teatro, o circo, andar pela ilha em conversa com o louco, prometer-lhe Deus no dia da morte. Olha aqueles pintores te segurando as mãos, te levando á lua, te coroando. Uns te dão pedras, outros flores, uns te oferecem impérios e tu escolhes aquele que fica com as ilusões do que é, do que tem, do que acredita.
publicado por relogiodesacertado às 21:25
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Se tudo isto for um raspão de bala. O amor também tem isco, tem pontaria que não falha quando o amor vier á rua para defender quem trabalha.

E se o patrão sabotar ou se for o general ou a velha fada madrinha dos romances de cordel. Tragam para aqui os cantores para por na ordem os senhores, moralistas conservadores que não deixam os amores afirmar sua expressão.

Se tudo isto for um raspão de bala, não há força, não há voz, só se for dentro de nós que se afirme esta vontade do amor ser a voz que comanda a liberdade

Se for um raspão de bala ou se for flor que brota da terra da revolução. E se nós os dois no chão e eu bombardeado de beijos me entregar á paz do teu corpo como quem tira a pele ao fruto e pedras á solidão.

Esta voz e estas mãos, esta canção que desagua no peito dos oprimidos que marcham pelas avenidas por causa de terem fome. Para o amor não faz sentido, ter capataz, ter patrão, que o amor de verdade não tem dono, não tem prisão, tem vida como condição, tem vento e tem luar, todo o mar, toda a naturesa que a força de quem se ama não é poder, nem propriedade e é isso que lhe dá chama para que haja comunhão.

Lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 21:23
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005

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Se eu não soubesse o nome desta cidade bastava-me o cheiro do fumo do café e o sabor do peixe que vem desaguar á tristeza dos meus olhos.
Se eu não soubesse que rio atravessa esta luz, ficaria como um filosofo a contemplar as pedras poisadas como pássaros nas minhas mãos e alguém ficava a saber que é possível morar na solidão construída das casas.

Se eu não soubesse o nome desta cidade, se eu pudesse confundir as árvores imóveis com o andar parado dos vagabundos que são empurrados pelos nossos olhos quando lemos os livros e os jornais antes de nos cansarmos da velocidade industrial da vida.

Se eu não soubesse o nome desta cidade, se ela viesse nua deitar-se nuvem no meu corpo, talvez fosse possível fingir-me de pássaro ilusionista e fazer com ela o profundo amor ilegível das palavras.

Se eu não soubesse o nome desta cidade, bastava-me o cheiro do fumo do café empurrando os navios por essa água de vontade que é a utopia dos homens que não desistem da esperança.

Se eu não soubesse o nome desta cidade, gostaria de ficar dentro de um olhar ausente a namorar a paisagem que resta do silêncio dentro de ti.

Se eu não soubesse o nome desta cidade, ficaria olhando uma lágrima que fosse o mar dos meus olhos.

Se eu não soubesse o nome desta cidade bastava-me o cheiro do fumo do café e o sabor da noite que chega das nuvens que flutuam dentro de mim.

Lobo 2 de Novembro de 2005
publicado por relogiodesacertado às 22:29
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

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Era um rapaz que tinha um rato e o rato foi para o bolso e depois chegou um velho que já tinha sido moço.

No meu tempo é que era! Não havia nada disto.

Mas como é que o azeite virgem pode ser a mãe do Cristo?!

Isto perguntou o rapaz para provocar o velho que sofria de um mal na cabeça do joelho.

Mas o velho era beato, tinha sinos no toutiço e entrou para a ordem do pãozinho com chouriço.

O rapaz que tinha um rato, o passeava com coleira encontrou uma pulga a vender cócegas na feira.

As pulgas eram de cão, as mais baratas do mercado.

E por isto acontecer o rato fugiu para o esgoto, a tia teve um desgosto e o teatro foi fechado.

O moço já não tem rato, o velho não é esquisito, fica ainda por saber se o tal do azeite virgem será mesmo a mãe do Cristo

Lobo 1 de Novembro de 2005
publicado por relogiodesacertado às 20:41
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