Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2005

...

Nunca te disse
mas parece que eu disse ao vento para te dizer... tu não sabias, mas eu sabia que eras um pássaro. Faz muito frio e eu vou por um pouco de fogo nas minhas mãos. Mostro-te as mãos e tu o sorriso. Ao longe vejo uma criança, nunca mais vou ficar sózinho. Ainda temos muito para conversar

lobo
publicado por relogiodesacertado às 23:38
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É preciso mais
muito mais
que um horizonte flutuando no corpo
se deitando no cais.

É preciso mais que ser nu
que ser louco, muito mais que todo o sabor
do eterno desejo
do profundo olhar, do abrir da flor.

É preciso mais
muito mais amor
e tudo o que for será calor.

E será preciso ser vazio
para ter de novo todo o esplendor
toda a tua graça.

É preciso mais , muito mais
e tudo não será tão completo
como o sol no deserto
como o ser sem paixão
ou como a vida sem emoção.

É preciso não esconder, não fingir
é preciso mais muito mais
alem do cais, alem do horizonte

lobo

publicado por relogiodesacertado às 15:28
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2005

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O teu coração... encosto os ouvidos nas tuas mãos e oiço o mar. O teu coração a bater contra a margem dos meus olhos, o mar que oiço a balançar debaixo dos meus pés... ouves o meu coração e tens medo e eu tenho medo de não ter vivido tempo suficiente, de não ter amado tão completamente como se morre. O teu coração está frio e nele descobro a temperatura da terra. preciso de sentir o teu coração para não ficar sózinho. lobo
publicado por relogiodesacertado às 17:56
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Sábado, 24 de Dezembro de 2005

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Vamos começar no vício
antes de começar no corpo

E vamos antes fazer o escuro
antes de acontecer o precipício.

E do escuro e do precipício
Fazer o princípio da formula do amor no corpo

Vamos começar no vício
antes de começar no corpo.

Fazer a ferida antes do prazer
e a maresia antes da vida.

Vamos fazer o vício na margem dos olhos e os olhos depois do ritual.

Vamos começar no vício antes de começar no corpo e vamos fazer no eu antes de começar no outro.

Vamos fazer o vício
antes de ficar perdição. E vamos começar no corpo
antes que seja mar.

Vamos fazer no escuro
antes que seja humano. E vamos começar no concreto antes que seja plano.

Vamos começar no vício antes de começar no corpo.

Lobo 05

publicado por relogiodesacertado às 18:16
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2005

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Se fosse assim um traço azul na margem dos olhos... Se fosse um pouco de calor a riscar a curva da palavra na margem da terra. Tu vais comigo e nós de mãos dadas levamos o mar á praça de maio. Se fosse um pouco mais forte uma canção que derrubasse da vida as coisas mais escuras. ficaria contigo mais tempo, livre das perguntas que nos inquietam. lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 17:23
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2005

Vou mexer a terra

Vou mexer a terra e parece que é a tua pele. A tua pele suja lavada pelas minhas mãos. Mexo a terra e entrelaço-me nela e sinto-a agreste na minha lingua e ela tem o sabor da chuva misturada com a saliva. Vou mexer a terra e parece que é a tua pele enrrugada pelas pedras e é ao mesmo tempo jovem como a água que corre nos olhos. Vou mexer a terra e sei que a cor dela se vai alterando como acontece com os dias, com as estações, com o modo de ser dos homens. A raça dos homens, a grandiosa cor da terra é ela não ter cor e ser a cor poderosa de toda a natureza.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 19:47
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Faço as cores

Faço as cores e eu sei que são a natureza dos teus olhos com os meus fazendo o fogo. Faço palavras água na lua Que a noite é a sede de quem anda vagabundo no amor. Faço as cores e no meio das conversas sou uma ave fora do bando da vida comum dos homens. Faço palavras, cores e projectos e vou procurando na água o fogo, o amor e o absoluto entretanto de te querer. Faço as cores e eu sei que são a natureza dos teus olhos com os meus fazendo o fogo. lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 15:45
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2005

...

Aqueles olhos! Tu sabes que há pessoas que os têm grandes, assim do tamanho de uma poderosa exclamação. No primeiro encontro, nesse primeiro encontro estabelecido entre nós o outro e a existência tu reparas-te que o pulsar da vida estava no andar dos meus pés. Senti os teus olhos interferindo no meu ser, renovando a minha esperança de ir da escuridão à luz. Aqueles olhos! Se fosse noutro tempo pensaria que era paixão o modo como olham e como se fixam. Mas é agradável olhar e parece que a natureza nos olha tantas vezes e é ela que nos vê a envelhecer. A natureza perdeu a idade, só é velha quando estamos tristes e doentes. Aqueles teus olhos! Tão azuis, tão profundos, grandes como uma montanha elevada ao espanto do mundo. Aqueles olhos do tamanho de uma poderosa exclamação.
Fer o5
publicado por relogiodesacertado às 15:38
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Sábado, 17 de Dezembro de 2005

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Luis um miudo da minha rua perguntou-me?
- Também há o natal dos animais?
- É possivel!
- E eles recebem presentes?
- Isso não sei.
- Se calhar os animais pobres não recebem
- É possivel
- Ontem estive a conversar com o galo
- É?!
- Passou o dia todo a queixar-se.
- E do que é que se queixou?
- Disse que era contra o natal, sabes! disse-me ele, não gosto do natal, noite de paz, noite de amor, mas é tudo conversa, quando eu menos esperar estou a enfeitar o prato na noite de consoada. Já reparas-te se houvesse o natal dos bichos?! Imagina nós a cozinharmos o homem?!
- Nem sei o que dizer-te!
- Outro dia o teu pai entrou aqui armado em rei Herodes e zas cortou umas cabeças. Se o teu pai percebesse o meu cacarejar eu dizia-lhe que o menino Jesus só bebia leite com mel, se eu bebesse leite com mel ficava com a voz mais afinada, ração que a tua mãe me dá deixa-me tonto.
- Gostava de te ajudar.
- preferia que uma raposa me deitasse as unhas, conheci uma que tinha unhas para tocar guitarra, certa madrugada embalou com a sua voz a galinhada cá do bairro, num abrir e fechar de olhos entraram-lhe no papo.
- Gostas da árvore de natal?
- Nunca vi nenhuma!
- Não?!
- Às vezes passa por aqui o gato esse bicho anda sempre a troçar do meu bico. " ontem provei uma canja de fazer eriçar os bigodes. - Isso é cruel. - Já imaginas-te como se sentiriam o burro ou a vaca se depois do que fizeram pelo menino Jesus acabassem no talho, deram-lhe calor.
- E tu?
- Eu canto, o meu canto é o melhor dos despertadores.
- Desculpa, acho que tens razão, vou pedir á minha mãe que não te cozinhe
- Que lhe vais dizer?
- Na verdade não sei, podia abrir-te a porta e tu seguias o teu caminho.
- Não ia ser fácil, o mundo está cheio de perigos e não é facil arranjar trabalho, conheço um primo que passou por uma churrascaria, precisasse empregado dizia o letreiro, era no tempo dos contratos a prazo, acabou na barriga do patronato.
- Já ouviste falar na Etiopia?!
- Não.
- Há por lá muita fome, não se vê um pé de feijão, nem uma pata de frango.
- Deve ser dramático... a culpa são as guerras, juro que nunca me hei-de alistar no exercito, talvez no exercito de salvação.
- Olha a minha mãe está a chamar-me, tenho de fazer os deveres da escola.
- vai lá, gostei de conversar contigo, falar ajuda a passar o tempo.

lobo
publicado por relogiodesacertado às 01:44
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Domingo, 11 de Dezembro de 2005

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A noite tinha frio e por ser assim entrou nas casas e sentou-se á lareira junto ao fogo. O pai daquela familia bateu-lhe no ombro e disse que ela não podia estar ali, que era natal e eles queriam celebrar aquele dia entre os seus. A noite pediu para ficar que estava mesmo com frio e que tinha pensado tirar do corpo dos vagabundos as suas roupas mas talvez não fosse muito próprio faze-lo. O homem perguntou porque não procurava ele uma pensão. A noite disse-lhe que estava com pouco dinheiro e que as pensões estavam cheias de ratos. E o homem disse que não podia ficar , que procura-sse um parque de campismo, havia perto um rio e ela podia tirar aquela sujidade. A noite disse que não estava suja, que era a sua cor de pele. De qualquer dasformas já não ia ficar lá, não queria mesmo ficar com aquele homem preconceituoso, ia passar o natal com o guarda noturno. e a noite apanhou o comboio para o porto. lobo
publicado por relogiodesacertado às 11:57
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