Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006

...

Beijava-te a boca de longe
como se o fogo do céu
ao beijar a tua boca
sentisse a boca de Deus.

Beijava-te a boca de longe
como se os lábios ao ler
não vendo; lessem o mundo
devagar como a morrer.

Beijava-te a boca de longe
como se fosse distante
o bater de um coração.

Como se fosse somente
esta minha perdição
de não saber de ti na vida
e encontrar-te na canção.

Beijava-te a boca de longe
como se o fogo do céu
ao beijar a tua boca
sentisse a boca de Deus.

Lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 18:47
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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2006

...

Que nunca mais se repita aquele frio de outra vida, a agonia das mães e o sol se apagando no corpo fraco dos filhos.

Que nunca mais se repita o ódio dos homens tentando matar a luz desses magros corpos nus.

A agonia dos velhos fazendo a terra tremer e o sol se apagando nos que ficam para morrer.

Que nunca mais aconteça o medo e o sofrimento e que a memória não esqueça nem ninguém fique em silencio.

Que nunca mais se repita aquele frio de outra vida, a agonia das mães e o sol se apagando no corpo fraco dos filhos.

Lobo 06


Se quiseres a terra fica
com as dores que são as tuas
depois ficas com os homens
que não tem poesia.

Se quiseres talvez a noite
beba essa água que tens
depois ficas com a sede
dos que não tem ninguém.

Se quiseres a terra fica
com aquela solidão
que veio antes da noite
como se fosse uma canção
não te querendo acordar.

Se quiseres a terra fica
com o pão, com o teu sustento
depois ficas com os homens
que perderam o destino.

Se quiseres talvez a noite
beba essa água que tens
depois ficas com a sede
dos que não tem ninguém. Lobo 06



Ouvi a ave e chorei
aquele timbre era de fado
e o céu da minha rua
perdoava o meu pecado
das vezes que não te amei.

Ouvi do fundo do mar
ouvi mas não sabia
que não sabendo
eu tinha poesia.

Ouvi a ave e chorei
depois no corpo passou o navio
e os teus olhos olhei
como se fossem o rio.

Ouvi do fundo do mar
Ouvi mas não sabia
que não sabendo
eu tinha poesia lobo 06


publicado por relogiodesacertado às 22:16
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...

Se não fosse o olhar
o céu não mexia por dentro
e é por haver quem sabe cantar, que faz o mistério
das coisas vazias do meu sentimento.

Aquele olhar que se entrega
e que transforma o meu ser
quando vejo a vida a fugir
como se fosse dormir.

Como se fosse um gesto
que calasse este sofrer
lágrimas que fazem rir
quando estamos a morrer.

Se não fosse o olhar
não ficava tranquilo
se não sentir essa voz
hei-de chorar perdidamente
sentindo a canção que me canta
para me sentir só.

Se não fosse o olhar…

Lobo 06


publicado por relogiodesacertado às 15:07
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...

Nem lágrima nem sorriso
não tenho flor, não tenho lamina
não tenho recado
não tenho aviso.

Comem o pão
fazem amor
silêncios , palavras e tacteiam no chão esperando que o tempo demore.

Nem lágrimas, nem sorriso.
O vento se lá foi trará recado, trará aviso.

Comem o pão
fazem amor
silêncios, palavras e tacteiam no chão esperando que o tempo demore.

Nem lágrimas, nem espera.

Indiferente se foi Outono, se foi primavera.

Nem lágrimas, nem sorrisos. Não tenho flor, não tenho lamina. Não tenho recado, não tenho aviso

Lobo 06
publicado por relogiodesacertado às 10:48
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Domingo, 26 de Fevereiro de 2006

...

Nem lágrima nem sorriso
não tenho flor, não tenho lamina
não tenho recado
não tenho aviso.

Comem o pão
fazem amor
silêncios , palavras e tacteiam no chão esperando que o tempo demore.

Nem lágrimas, nem sorriso.
O vento se lá foi trará recado, trará aviso.

Comem o pão
fazem amor
silêncios, palavras e tacteiam no chão esperando que o tempo demore.

Nem lágrimas, nem espera.

Indiferente se foi Outono, se foi primavera.

Nem lágrimas, nem sorrisos. Não tenho flor, não tenho lamina. Não tenho recado, não tenho aviso

Lobo 06
publicado por relogiodesacertado às 17:20
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...

A nudez é como o vento…
silencio a ocupar-se da água
esquecemos de permanecer
e todo o amor é a absoluta inconsciência
nenhuma dor ou desejo
nenhum prazer ou intenção.

Sofrer por muito ter a intenção
de esperar de um outro corpo
a nossa vontade de tudo beber
e de tudo saciar…

É inútil deixar-me prender
e é vazio não consentir que os braços
sejam como as árvores
onde os outros ou o outro
se liga afectuosamente
como o pássaro dentro de cada um…

Precisamos de ter uma causa
ou não precisamos, pois tudo aquilo que não esperámos
há-de chegar.

O amor tem os olhos grandes
e o amor que tudo vê
o melhor amor é aquele que tudo olha.

Não olhar é reter tudo no pormenor
esta grande liberdade
de nos sentir-mos absolutos
e no entanto somos simples
no modo de absorver cuidadosamente o tempo de existir
lobo
publicado por relogiodesacertado às 12:34
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

...

Tu sabes deitar a noite pela boca...
beijo-te.
e sabe a liberdade o pássaro que encontro
no teu corpo.

Sabes deitar a noite pela boca
aquele vagabundo é um engulidor de flores
e tu pisas a terra
e há um jardim dentro dele.

Deitar a noite pela boca
é a tua magia...
O sol é um pássaro que te levanta a alma.

Ainda é cedo
morrer com o rio
e rir com o pássaro á janela
do grito da tua boca.

Que espanto este acordar....
publicado por relogiodesacertado às 02:04
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

...

Eu gostava que sexo e amor não se complicassem. Se alguém bebe a água e a água é boa isso basta e não é preciso mais nada. Se o sexo nos dá prazer, se ele é vida que o nosso corpo manifesta ao corpo do outro, isso é natural, isso é bom. Portanto tudo o que se manifesta pela vida, pela vontade, tudo o que for baseado na liberdade e no respeito não tem de ser reprimido ou censurado. O sexo é comunicação, é a tesão da vida á tesão que levamos do nosso corpo á terra ao céu ao outro. Se o sexo está sozinho está sozinho. Se existe só o amor existe só o amor. Não é isto que está certo e não é aquilo que está errado. No fundo tudo tem a ver com tudo e nada tem a ver com nada. Seja como for a moral está a mais e só serve para deturpar.

Lobo 06
publicado por relogiodesacertado às 12:24
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2006

...

Eu não preciso da pintura nem da escrita, mas preciso da cor quente do pão e da palavra agarrada ás mãos dos homens que levam os filhos a ver a terra lavrada e a admirar os pássaros a voar.
Alguém dizia que o importante são as pessoas, o resto é secundário. Tudo o que não apelar á vida e ao amor é apenas um esboço que nenhuma memória pudera conservar. Preciso da liberdade e da justiça, preciso de muito futuro. Que o sol traga muita luz e muito calor para a nossa rua.

A arte: o pintar e o escrever deviam ter o poder de nunca mais se recordar nenhuma dor ou nenhum passado. Não preciso da escrita, nem da pintura e no entanto preciso de ambos. Ainda não sei fazer o caminho de morrer completamente e de me desapaixonar.

Lobo 06
publicado por relogiodesacertado às 19:07
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Sábado, 18 de Fevereiro de 2006

...

O rio no meio
no chão
no tecto
no sexo
no coração

O rio
água do livro
que leio
na expressão do nada
que o amor faz sedução.

O rio no meio
no azul
no verde
no sul
na fome
na sede
na forma do amor que não se deixa prender á rede.

Mas só a lua me pode cativar
e mesmo que estejas á espera na rua
vou com o mar para evitar as palavras duras.

O rio no meio
água do livro que leio
na expressão do nada que o amor faz sedução.

lobo 06
publicado por relogiodesacertado às 17:36
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