Quinta-feira, 30 de Março de 2006

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Ontem ia eu na minha viagem de autocarro e em cada paragem ouvia o nome de um morto, todas as ruas tem o nome de um morto. Gostava de ouvir soar aos meus ouvidos, a rua da primavera, a rua de maio, a rua do gato. Próxima paragem rua do defunto, próxima paragem rua fernando pessoa, seria mais poetico rua guardador de rebanhos. E continuei a pensar, qualquer dia temos ruas com nomes dos orgãos do corpo, ruas dos rins, rua da bexiga, rua do transplante, rua do desplante. Finalmente o autocarro chegou. Próxima paragem rua da cerveja sem alcool.

 

lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 16:19
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Quarta-feira, 29 de Março de 2006

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Por ti não vou rasgar uma flor

mas terei uma petala nos meus dedos para tocar os teus labios.

 

Para tocar os teus labios e ver o rio que passa nos teus olhos.

 

Por ti não vou usar as palavras mas terei um silencio num grão de terra, um pequeno grão absoluto, ameno como a noite sobre os corpos.

 

Por ti não vou rasgar uma flor

mas terei uma petala nos meus dedos para tocar os teus labios.

 

Para tocar os teus labios e ver passar o fogo nas tuas mãos.

Tu minha irmã és toda essa natureza.

 

lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 11:50
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Terça-feira, 28 de Março de 2006

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Não sei se existe o museu do bife... se existir seria interessante uma vizita guiada. Imagino uma stora de uma escola secundaria anunciando uma vizita de estudo ao museu do bife. Muitos conhecem a sagrada familia, o museu rainha sofia, mas não se conhece o museu do bife. Pois bem! vai ser inaugurado o museu do bife, na Galeria bata frita com azeite vai estar patente uma exposição sobre o bife. Bife mal passado, mal disposto, bife sola, bife duro como corno, bife em sangue. O bife republicano, anarquista, o bife a cavalo, o bife sem abrigo, o bife boca de cão. espero que gostem.

lobo.

publicado por relogiodesacertado às 23:50
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A senhora dos olhos tristes era uma alma que vertia água

e os velhos pescadores quando abraçavam o mar sentiam que era a senhora dos olhos tristes aquele gemer aquela canção, aquele balançar dos olhos.

 

A senhora dos olhos tristes soprou no chão e fez aparecer infinitas estrelas e a chuva para ver as criaturas dançar.

 

A senhora dos olhos tristes

mas o triste talvez fosse apenas a cor.

 

Fosse como fosse

fosse o vento ou a musica

no silencio do amor a senhora dos olhos brilhantes vai fazer voar os poetas.

Os poetas e os camponezes

os pescadores e os Deuses

olhando os seus olhos adormecem.

 

A senhora dos olhos tristes

ou a senhora dos olhos brilhantes

ela é o universo que me contempla e eu não sei as palavras que me faltam.

Procuro na terra, procuro no seu corpo e depois

fico a morrer ouvindo a canção da eternidade.

 

lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 13:56
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Segunda-feira, 27 de Março de 2006

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Ao redor do fogo

se pensarmos que o fogo é o nosso Deus eleito, se sobre o fogo depositarmos as nossas orações. O fogo do nosso coração aquecera a rua fria e o homem triste. Ao redor do fogo se pensarmos que o fogo é o nosso Deus feliz depositamos sobre ele as nossas nuvens, as nossas preces, as nossas flores. Ao redor do fogo com a luz da lua... as nossascanções, as nossas mãos, os nossos sorrisos, as noites , os dias.

Ao redor do fogo, se pensarmos que o fogo é o nosso Deus eleito, se sobre o fogo depositarmos as nossas orações, o fogo do nosso coração acalmara os ventos bravos e a raiva dos homens.

Se pensarmos que o fogo é o nosso Deus feliz.

 

lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 13:02
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Sábado, 25 de Março de 2006

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Saudade é isso que magoa

é isso que faz os olhos levar a lua.

É tão como ter tudo

muito mais que o amor

mas depois o que faz bem

é não ter saudade de ninguem

Saudade é isso que magoa

é prosa no papel do coração.

 

É isso que faz os olhos levar a lua.

 

É Maria a cantar a emoção do amor que começa agora.

 

Saudade demora o amor e a dor só faz envelhecer

e assim te vou esquecer para depois

saber que o nosso amor

não vai morrer.

 

lobo

 

publicado por relogiodesacertado às 14:32
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Quinta-feira, 23 de Março de 2006

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A noite está deitada no chão

e o vento é o seu homem.

 

Aconteceu que o vento a fecundou

e ela estrelas na água pariu.

Depois veio a madrugada e entrou nos olhos dos que sonham.

 

A noite está deitada no chão

e o vento é o seu homem.

E ele murmura-lhe histórias

que ouviu dos lugares por onde passou.

Não sabe se eram verdadeiras mas eram com elas que os homens adormeciam.

 

A noite está deitada no chão

depois veio a madrugada e era possivel

ve-la dentro de todos os olhos.

lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 17:03
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Ondes ficas a dormir

depois do medo te assombrar.

Precisas de paz e de pão

mas infelizmente depois daquele chegou outro papão.

 

Onde ficas a dormir

depois das bombas assassinas

Outros meninos e meninas um dia vão acordar

e saber que esse monstro não vai voltar.

Onde ficas a dormir?

Na tua casa também pode ser primavera

e o vento que soprar nos teus lábios fará canções.

E se todos nós quizermos

mesmo que seja só um gesto

ha-de ser a paz a nossa flor.

Onde ficas a dormir

na tua casa também pode ser primavera

e pode ser agora a paz...

 

lobo 06

publicado por relogiodesacertado às 16:39
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Sexta-feira, 17 de Março de 2006

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Estás triste, não queres que saibam mas estás mesmo triste. Escondes isso quando escreves no teu diário. Ontem chovia, vi-te a fugir com a música estridente, mudas de roupa dez  vezes ao dia e de maquiagem. Pergunto-te se tomas ácidos, parece que não fazem efeito. Estás triste, parece que passas a vida a gritar com a tua mãe. Ontem sonhas-te que o teu pai te segurava na mão, fumas-te com ele um cachimbo de erva, o teu pai não era um indio, apareceu-te somente para te divertir, deve ter sido tudo uma ilusão. Queres escrever uma carta, sei que faço parte da tua imaginação, tu és o amor que eu preciso, preciso de acordar ao teu lado e sentir que os teus olhos um sol muito forte sobre mim. Estás triste, não vais começar a chorar. Porque odeias a tua mãe, porque lhe bates como costumas bater no rádio velho de valvulas, não consegues amar a a tua mãe e a tua mãe julga que tu a estás sempre a matar como se ela quizesse o negócio da tua vida. Vai apanhar ar, não desesperes, desculpa mas pareces uma velha triste, assim vais acabar na ilha dos teus proprios pensamentos. Vai! começa a fugir, não precisas de te comprometer com nada, nem com ninguém. Repete muitas vezes para contigo mesma que não se esgota o calor do teu corpo, o sorriso da tua boca. Ficarmos deprimidos acontece, é assim porque se existe, não podemos fazer que não existimos, mas se começares a dançar, se eu bater duas pedras uma na outra ou se experimentares tocar flauta, assim fogem os ratos. Tenho buracos no queijo do meu subconsciente. Olha-me nos olhos! Gostas de mim? Sabes rir, estás triste mas acredito que sabes rir, se fizeres força consegues rir, és capaz de rir mesmo que estejas a morrer, mesmo depois de morreres. Tens de te importar contigo, põe as mãos na água do mar, há alguem</a> que se interessa por ti, quanto menos atenção prestares á tua pessoa mais o interesse de alguem</a> te puxara a pele. Estás triste e isso tem uma certa compreensão , uma certa musica, aquela afinação existencial. Estás assim e estás de modo algum. Olha-me nos olhos tempo de fugir e céu azul

 

publicado por relogiodesacertado às 11:32
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Quarta-feira, 15 de Março de 2006

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Numa estrada que fica num despovoado um pássaro brutalmente assassinado por um punhal de flores empunhado por um pastor que regressava de uma longa viagem cansado e triste depois ficou em silencio a ver a água que corria nos seus pensamentos. Numa estrada que fica num despovoado um homem solitário esquartejou a terra para a escutar a gemer como era costume assim fazer a tempestade. Numa estrada que fica num despovoado, um pássaro brutalmente assassinado tombou sobre o sol e fez escurecer o céu. Foi um pastor empunhando um punhal de flores que cravou nele um raio de sangue transparente como a luz.

Numa estrada que fica num despovoado, um pássaro completamente apaixonado tinha a aparencia dos homens, a mesma expressão desiludida, o mesmo vazio nas palavras. continua

publicado por relogiodesacertado às 15:27
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