Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

poemas para as mulheres que encontrei

Para a Francesca de Bergamo.

 

Não sei se há um vento forte

para te empurrar.

 

Não sei se é possível despertar pássaros

e fazer os poetas voar.

 

Não tenho mais versos

nem mapas para mostrar caminhos.

Mas tenho esta sensação feliz de te olhar

e ficar sem precisar de mais nada.

Um rio

uma flor e os teus olhos que me olham

como um anjo abandonado na rua.

Não sei se há um vento forte para te empurrar

mas há as canções que oiço de longe.

Um rio

uma flor e os teus olhos

que me olham como um anjo abandonado na rua

 

lobo 06

 

Para a Valentina de Palermo

 

Um ramo de flores

pediria á lua

mas se a lua se esconder

eu lhe trago vinho.

 

Não sabia dançar

e agora a água dos olhos

me faz flutuar.

 

Um ramo de flores

e o fumo de incensso

percorrendo a estrada.

Mas se a lua se esconder alguem irá escrever no coração

que mesmo um soldado vai guardar a paz.

 

lobo 06

para a Vanessa

 

Um fio de azeite nos olhos sagrados.

As mãos juntas

os olhos fechados

e todas as canções de infancia são uma meditação.

 

Um fio de azeite

uma gota de água

pão molhado no ovo

flores nos cabelos

guerreiros da terra.

 

As mãos juntas

os olhos fechados

e todas as canções de infancia são uma meditação.

 

lobo 06

 

para a Nina

Tenho o sol a derreter-me nas mãos e nas tuas palavras e nos teus gestos e nos teus livros e nas tuas viagens e no corpo dos homens e no tronco das árvores a tua alma receberá a sombra a tua alma voará.

Limpa as lágrimas ao rosto do vento.

tenho o sol a derreter-me nas mãos

depois alguem entrará em ti pelo caminho do mar.

Limpa as lágrimas ao mundo

aos homens que fazem a guerra

aqueles que sobrepoem a fome á poesia.

 

E nas tuas palavras e nos teus gestos e nos teus livros e nas tuas viagens e no corpo dos homens e no tronco das árvores a tua alma receberá a sombra a tua alma voará.

 

lobo 06

 

para a Lila.

Vamos enganar o tempo e trocar as palavras por flores.

 

Vamos falar por musica

e dançar como árvores movendo as raízes e andando nas viagens dos ciganos

esses anjos flamengos

Vamos enganar o tempo e voltar a um lugar longe.

Vamos falar por musica e fazer desaparecer solidões

Vamos enganar o tempo e trocar as palavras por flores

lobo 06

 

Para a Claudia

 

Misturados na vida

somos as cores e os frutos sem sombra.

Mas o sorriso mesmo assim é doce

porque dentro de ti há uma força contra os abismos

Misturados na multidão

somos os mais solitários e quando somos os mais solitários

somos irmãos da terra.

 

Misturados na vida

misturados na água e na noite somos uma dor profunda.

Mas o sorriso mesmo assim é doce porque dentro de ti há uma força contra os abismos

 

lobo 06

 

para a laura.

 

Escureceram os olhos

dos pássaros de Milão.

Num sonho que não lembro apertei a tua mão. Sem medo consegui voar e assim não foram precisos pactos para a liberdade dos homens.

Escureceram os olhos dos pássaros do céu de milão e houve um pássaro que veio buscar chuva aos teus olhos para abençoar a intimidade dos quartos e dos jardinns.

Sem medo consegui voar e assim não foram precisos pactos para a liberdade dos homens.

lobo 06

 

Para belem

 

Ainda há vinho

e um para águas a voar

os poetas de madrid são

pássaros e a chuva sabe

a uma erva aromática e a uma flor de fumar.

Ainda há vinho

e um pão a repartir pela fome da vida.

Os poetas de madrid são pássaros e a chuva sabe a uma erva arómatica e a uma flor de fumar.

lobo 06

 

Para a Silvia de roma.

 

Ainda tens olhos que pintam o coração do mundo. Há tantas guerras e ódios que o deformam que ainda bem que os teus olhos pintam o céu assim a água a terra.

lobo 06

 

Para a beni

 

Felini filmou

o sorriso dos sem sorriso

há um sol para os que não tem abrigo.

Vou encontrar-te

e tu terás uma gargalhada

que vai fazer cambalear o mundo.

 

Olha meu amor

espreita pela janela

aqui corre um filme

assim a lua de roma.

Tu terás uma gargalhada

que vai fazer cambalear o mundo.

lobo 06

Para a Ilenia

 

Da rua para a tua janela

me declaro mágico e lunar.

Grito como um louco

ou se me olharem como um apaixonado assim não me vão olhar de modo tão estranho

que os loucos e os apaixonados são sempre olhados de modo estranho.

Mas nem os loucos

nem os apaixonados são estranhos.

O que é estranho é não se entender os loucos e os apaixonados.

 

Da rua para a tua janela

me declaro mágico e lunar

 

lobo 06

 

Para a Debora da Sardenha

 

A tua gargalhada

a tua cerveja

Seja como for a noite vai cair antes de ti

na mesa do café tropical

ou na praça onde ainda costumas ir em sonhos de festa.

Estás ai do outro lado

do atlantico

mas a espuma desse mar não sabe a esta cerveja.

Quando voltares que com bons olhos a vida te veja

com paz, pão e cerveja.

 

lobo 06

 Para a Francesca.

Andas de noite com os olhos

pintados de vinho

e rimel de Paris.

 

Enquanto a musica toca no teu corpo

talvez o mar vagabundo vestido de azul dance contigo

sem te aperceberes que cansada ficas

num sonho profundo a chorar.

 

Andas de noite com os olhos pintados de vinho

e rimel de Paris. Enquanto a musica toca no teu corpo desvendas os segredos do silencio.

 

Talvez o mar vagabundo vestido de azul dance contigo

sem te aperceberes que cansada ficas num sonho profundo a chorar.

 

lobo 06

 Para a Madalena.

 

Todo o mar que trazes na roupa

e todo o silencio que a terra te dá

sabor de fruta

poesia e uma nuvem

água do chá

imagem da fantazia na criança de todos os homens

e na natureza de todas as almas.

 

lobo 06

 

Para a pipa

 

Na água afoguei o sol

e o sol se tornou peixe

a flutuar no fundo das mãos

dos que dançam e declamam

versos na transparencia do mundo.

 

lobo 06

 

Maria alguma forma de mar

mas o rio entra nos olhos

Maria.

 

Alguma forma de mar

na ponta da lingua dos homens livres

Maria

A poesia é um fogo

ou qualquer palavra faz crepitar.

Maria

alguma forma de mar

mas o rio entra nos olhos Maria

lobo 06

 

para a Claudia de França

 

O mar sabe como nós nos sentimos

sabe da nossa armonia e nunca ouviu nem sabe nada da nossa musica.

O mar sabe como nós pensamos

sabe dos nossos poemas e nunca leu os nossos livros

nem conhece os mistérios da nossa fé.

 

O mar sabe como nós nos sentimos

sabe da nossa armonia e nunca ouviu o nosso corpo tocar outro

nem a terra tremer com a dança dos nossos pés.

 

O mar sabe como nós pensamos

e no entanto ele sempre está longe

ou somos nós que sentimos que é assim quando ele adormece.

 

O mar sabe como nós nos sentimos

 

lobo 06

 

Para a sara de ponte vedra.

 

Olho-te nos olhos

para ver chover quando estás triste.

No teu coração já vi pássaros a dormir

palavras que faltavam quando a revolta era mais intenssa que o amor.

Olho-te nos olhos para ver quanto faz frio

mas o coração tem mel quando andas na cidade a guardar a solidão dos homens.

Se eu fosse um poeta

ou soubesse a magia de cada pulsação seguiria a expressão dos dias que vem a seguir.

Olho-te nos olhos

a natureza caminha como se fosse

o vento a seguir em cada aventura

ou em cada musica

que faça voar.

 

Olho-te nos olhos.

lobo 06

para a eva

 

Se o sol entrar na janela

e me pedir para dançar

vou vestir minha camisa flanela

vou-me pintar

E depois pego-lhe a mão

e num ritmo flamengo o meu corpo lhe entrego.

 

Se o sol me entrar na janela

e me pedir para dançar

vou vestir minha camisa flanela

e vou por um som.

 

Muito rum

muito flamengo

muito camaron.

 

Se o sol entrar na janela e me pedir para dançar

 

Vou vestir minha camisa flanela

e por um traço de batom nos teus lábios.

E vou por um som.

Muito rum

muito flamengo

muito camarom.

lobo 06

 

Para a Paula que morreu de sida e de desprezo.

 

No prato da sopa eu provo as lágrimas

molho o pão na fome e saboreio esta solidão sem sal

este natal sem iluminação

este amor sem volta.

 

No prato da sopa

eu provo o caldo frio

mais frio que os olhos dos agarrados

mais amargo que o ódio das mulheres espancadas á porta das igrejas

dessas mulheres cujas lágrimas gelam no rosto

e que um dia os filhos serão assassinos ou poetas ou actores tristes

ou apenas almas esquecidas vagueando nos quartos vazios depois dos pulsos cortados ou das guitarras a soar acordes que não soam bem na vida. 

No prato da sopa eu provo as lágrimas e corto o pão no destino dos que morrem antes de tentarem a esperança ou de se comprometerem com o amor.

No prato da sopa passam os turistas e as máquinas fotográficas

que engolem o anonimato dos marginais e dos funcionários publicos.

 

No prato da sopa passam os turistas e os velhos que pagam para morrer na companhia artificial de uma velha televisão.

No prato da sopa eu olho os teus olhos

mas não consigo cheirar o teu corpo

não consigo amar-te com todo esse veneno.

A morte vai dar-te a mão.

Eu provo o caldo frio, mais frio que os olhos dos agarrados

mais amargo que o ódio das mulheres espancadas á porta dos orfanatos e dos quarteis

que tentam levar uma flor para por nas mãos dos soldados que marcham na linha da frente.

 

Agora soube que morreste e não consigo ficar triste

que ficar triste é morrer por alguém e sorrir não vai fazer diferença á tua condenação.

Tu não amaste ninguem

ninguem fez um gesto para te amar.

 

Certas palavras reduziram-se ao efeito de negócio

cada beijo valia uns trocos

cada toque no teu corpo uma desculpa

quando se tinha pressa em sentir o prazer exclusivo do corpo

e o prazer egoista de tudo colher e nada semear.

lobo 06 

publicado por relogiodesacertado às 17:19
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Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

...

Temos os olhos caídos sobre o papel frio. Sentimos que as palavras gastam a vida e que não fazem falta para a substancia do amor.

Temos os olhos caídos sobre o papel frio e desesperamos com a sobrecarga de solidão quando estamos na ausência dos outros

Temos os olhos caídos sobre o papel frio. O fogo consome os dias elaborados dos poetas e dos semi Deuses.

Enquanto existirem palavras não será passível a imortalidade.

Temos os olhos caídos sobre o papel frio. Sentimos que as palavras gastam a vida mas o contemplar alimenta o amor.

 

Temos os olhos caídos sobre o papel frio no entanto algumas palavras são doces como as mãos que se abrem.

Temos os olhos caídos sobre o papel frio. As palavras que escrevemos na água, essas que fazem caminhar o vento nos dedos dos que dançam oferecendo devoção á terra.  continua

 

publicado por relogiodesacertado às 13:45
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

...

Um homem de gravata ás riscas, talvez um funcionário do banco. As zebras tem riscas. Elas não tem parentesco com os homens do banco e no entanto os numeros são selvagens e matam e sujam. Um homem de gravata ás riscas, a estrada está pintada de branco e do outro lado da rua há uma prisão e em cada escritório em cada escola, dentro de nós, fora do nosso pensamento, no amor que fazemos e que fingimos. Este corpo é falso, este corpo não é nosso, esta vida serve como um par de sapatos. Queres fugir? Mas que sentido! um fato apertado e sapatos com lustro. A nossa morte vai ter sapatos com lustro. Um homem de gravata ás riscas, um homem poderoso, tão poderoso como um estrondo e tão fraco como merda a sair do cu. Não estamos felizes, aceitamos que parecemos assim para que os outros não apaguem o fogo á nossa volta. Nós temos uma gravata ás riscas, vendemos livros e fazemos um sorriso muito comercial e rimos como uma máquina registadora. A máquina registadora está casada com o funcionário das finanças que tem uma gravata ás riscas e que costuma ver girafas na fila para pagar impostos. É triste esta poesia. Quando dormimos ninguem nos guarda. Nós temos medo. Gritam conosco porque falhamos o exame, porque puzemos a musica demasiado alta, porque a nossa mulher não era a loira do filme e mexia as ancas como uma máquina de escrever. Na verdade nós nunca usamos uma gravata ás riscas, nós bebemos água mineral e aguentamos ouvir o discurso politico durante duas horas e nós bebemos a água mineral e o discurso politico com duas pedras de gelo. Uma gravata ás riscas. A vida é demasiado curta e demasiado banal mas se alguem convencer o ego que se vai tornar a criatura mais feliz por usar uma gravata ás riscas. Se o mundo parar as guerras eu prometo que vou comprar uma gravata ás riscas

lobo

publicado por relogiodesacertado às 03:39
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

...

Aqui ou em qualquer parte

os segredos que a terra tem

tudo está guardado e tudo tem a cor como fundamento

o coração dos homens e todos os bichos e pedras

e todas as coisas comuns

iram sobreviver porque alem de belas

são verdadeiras e simples

como a convicção profunda do amor.

Escutamos a musica

em qualquer lugar

qualquer gesto será uma harmonia

a vida comum de cada homem e de cada flor

havera o romance essencial

os olhos fixos e distantes

nada mais será necessario que saber olhar

e assim entrar  como uma canção

que entra como a noite pelas portas

quando se tem frio.

E o que importa

alem de tudo aquilo que formos capazes

não vai ser preciso escrever cartas

ou declarações dificeis

perceber que estamos felizes

sem que seja preciso poetas que nos cantem

o vento será capaz de sentir

e quando tu não sentires estarás mais próximo de entender

O amor ou seja o que estiver

para acontecer depois da solidão

o mar vai empurrar os nossos braços

existir é uma força essencial

precisamos de ficar

para que cada toque

cada segredo

cada verdade

de se ser homem e flor

sem engano sem deturpação.

O amor ou a respiração

a nossa vida

o nosso fazer de cada dia

sagrado mistério do nosso trabalho.

os homens, as flores

e tudo o que for além

as palavras ou aquilo que for capaz de surpreender.

Existir é o mistério

fundamental para a compreensão

e não compreender nada

está bem e é uma liberdade.

lobo

publicado por relogiodesacertado às 01:05
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Sábado, 20 de Maio de 2006

...

São sete horas da madrugada. A Água corre da torneira como as palavras impensadas do mundo. Lavo a cara e limpo ao velho jornal, podia limpar a cara ás folhas dos livros da tia Margarida, mas vou usar para outras necessidades. Vou preparar o pequeno almoço, uma fatia de pão e um copo de leite. O leite é magro como esta nossa pátria pobrezinha e comica. São sete horas da madrugada a noite está a trocar de roupa e está a ficar dia. No mundo está a ficar escuridão, melhor seria a escuridão da intimidade, mas seria bom abrir uma janela, dar um beijo e voar sem bater no chão     lobo

publicado por relogiodesacertado às 14:17
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...

Deitado sobre os olhos

o sol , esse pobre vagabundo da terra

também o amor

não tem certas riquezas

e no entanto parece que possuimos o oceano

 

lobo

publicado por relogiodesacertado às 14:05
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2006

...

Nenhum lugar é um paraíso

nenhum pão pode salvar a tua fome

nem há uma casa que seja o teu completo abrigo.

És tu o lugar para o teu paraíso

és tu o pão para o sentido do alimento da tua vida.

Agora o paraíso existe em cada pensamento, em cada força que tens, em cada intenção que comunicas.

O céu pode ser aquilo que olhas e é aquilo que sentes, aquilo que transformas e que te transforma.

 

A tua luz, a tua liberdade, a tua solidão e a tua companhia são o importante dentro de ti.

 

Não importa se está uma porta ou uma janela

importa que estás, que consegues voar.

O céu é dentro de ti e o amor é uma canção que levas em todas as viagens.

lobo

publicado por relogiodesacertado às 12:01
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