Sábado, 24 de Setembro de 2005

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Estás a pensar que o poema particularmente aquele poema em que o adolescente se sente vazio como carapau sem espinha é um belo poema. Os adolescentes não escrevem belos poemas. Sabem belas histórias, tem optimos ardis de sedução mas a poesia deles é isco que não apanha peixe.
Aqwuele adolescente que fizer um belo poema certamente envelheceu muito, ficou muito tempo a olhar como mudam de posiçã aquelas coisas que estão fixas mas que tem o movimento que nós lhe damos quando ficamos concentrados a olhar.
Os adolescentes não sabem escrever poemas, não é nenhum caos, nós precisamos de ter onde cuspir, se cuspimos bem, ser o fato é limpo e a beboda for servida sem vestigio de detergente no fundo do copo, não será de mais elogiar que nos foi servido com surrealismo e descrição uma bebida genuina sem detergente no fundo do copo. Os adolescentes são pessoas muito verdadeiras. Nunca conheci ninguém que por este motivo não me desse segurança.
Se os velhos deixam de escrever poemas ficam adolescentes inuteis. O que é inutil não serve para limar os dentes, não nos coçamos com a mão inutil. Não saber escrever, não saber nada de cultura, não saber como é que a vaca escolhe a erva que come e o adolescente a erva que fuma não é nem grave, nem coisa de perigo. Mas se o adolescente escrever um poema como quem sabe fazer o nó á gravata vão reparare que o adolescente escreve de um modo tão vertical que parece um adulto em formato cómico. A poesia adolescente, certa poesia adolescente é assim como uma prolongada agonia, apetece morrer antes de se acabar de ler. Os velhos poetas perceberam que a juventude da poesia, o ar respiravel da poesia é não haver quem se arme em conhecedor. É não convencer.
Só o espectáculo existe para convencer.
A roupa e todos os acessórios esses sim servem para a exibição publica. A poesia é outro caminho. O publico não lê poesia para saber aquilo que lhe é mais facilmente servido no grande irmão. Há uma certa escrita adolescente que não inventa nada. Não é que seja preciso inventar muita coisa, mas o mais ridiculo e aborrecido é pegar emrima empilhada como tijolo ou fardo de palha e com todo este empilhado de frustrações alcançar a glória.

Os poetas sejam eles o que forem quanto mais longe e desapegados do saudosismo, que a poesia pode ser o fundamento criativo da ignorancia. De um modo geral a poesia adolescente é muito profissional e não é dada a rotinas desassumidas. Mas os velhos homens, os novos homens, os bichos domesticos, os bichos selvagens e outras criaturas sabem pelo menos que a poesia caso se coma também se caga.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 16:23
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1 comentário:
De Anónimo a 30 de Setembro de 2005 às 10:20
Gostei bastante deste texto...continuas a ultrapassar-te e a surpreender-nos pela positiva lobo. adoro tu. Nina
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(mailto:alzira_guedes68@hotmail.com)


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