Sábado, 10 de Setembro de 2005

...

Enquanto nos despimos como o rio que se despe para se entregar ao caudal das ruas estreitas sobre os corpos mal dormidos. Enquanto nos despimos como uma luz algures habitando o pensamento diluido na chuva e nas pedras fazemos a casa como se amassa o pão e se lança a alma á estrada. Enquanto nos despimos o fogo se deita sobre nós e a nossa pele arde como uma laranja acida debruçada sobre o sol.
Enquanto nos despimos como o rio que se despe e se despede dos homens parados e contudo fazendo a viagem dos dioas a dormir tapados pela terra.
Enquanto nos despimos, como o rio que se despe e se entrega como uma noticia na surpresa dos quartos e dos olhos que brilham e se deleitam pela falta das palavras imprecisas. Enquanto nos despimos, contemplamos as ruas e nos tornamos essas ruas eternos universos dentro dos oceanos e das pessoas. Enquanto nos despimos respiramos, sobrevivemos aquele medo de sermos sujeitos á aparencia dos agasalhos enganadores dos olhos.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 14:51
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