Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

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Um homem de gravata ás riscas, talvez um funcionário do banco. As zebras tem riscas. Elas não tem parentesco com os homens do banco e no entanto os numeros são selvagens e matam e sujam. Um homem de gravata ás riscas, a estrada está pintada de branco e do outro lado da rua há uma prisão e em cada escritório em cada escola, dentro de nós, fora do nosso pensamento, no amor que fazemos e que fingimos. Este corpo é falso, este corpo não é nosso, esta vida serve como um par de sapatos. Queres fugir? Mas que sentido! um fato apertado e sapatos com lustro. A nossa morte vai ter sapatos com lustro. Um homem de gravata ás riscas, um homem poderoso, tão poderoso como um estrondo e tão fraco como merda a sair do cu. Não estamos felizes, aceitamos que parecemos assim para que os outros não apaguem o fogo á nossa volta. Nós temos uma gravata ás riscas, vendemos livros e fazemos um sorriso muito comercial e rimos como uma máquina registadora. A máquina registadora está casada com o funcionário das finanças que tem uma gravata ás riscas e que costuma ver girafas na fila para pagar impostos. É triste esta poesia. Quando dormimos ninguem nos guarda. Nós temos medo. Gritam conosco porque falhamos o exame, porque puzemos a musica demasiado alta, porque a nossa mulher não era a loira do filme e mexia as ancas como uma máquina de escrever. Na verdade nós nunca usamos uma gravata ás riscas, nós bebemos água mineral e aguentamos ouvir o discurso politico durante duas horas e nós bebemos a água mineral e o discurso politico com duas pedras de gelo. Uma gravata ás riscas. A vida é demasiado curta e demasiado banal mas se alguem convencer o ego que se vai tornar a criatura mais feliz por usar uma gravata ás riscas. Se o mundo parar as guerras eu prometo que vou comprar uma gravata ás riscas

lobo

publicado por relogiodesacertado às 03:39
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