Sábado, 12 de Agosto de 2006

Agora que me ponho sol

Agora que me visto e que me ponho sol
agora que me sinto rio e me finjo de nuvem
Agora que me ouves e que te oiço e que o coração tem agua tão profunda
como se fosse um poço.
Agora que me sinto perdido e sou mesmo assim o sentido de ser o irmão de todo o universo.

Agora que me visto e que me ponho sol
agora que pões batom nos lábios e lês os livros sábios para não chorares de solidão

Agora que me ouves e te oiço e que as palavras não   são nada depois de se dormir.

Agora que nos sentimos tão de perto e caminhamos longe como se a vida fosse outro projecto outra direcção .
Agora que estamos e somos o que sentimos e o que criamos.

Agora que nos damos quando não temos nada
agora que a nossa liberdade é um grão pequeno e o amor é tão grande numa mão fechada

Agora que me visto e que me ponho sol
agora que sorris e que choras e que tocas acordeão para imitar a primavera

Agora que bebes o vinho e cheiras a roupa dos poetas
Agora que me sentes e que me sinto
agora que o corpo me cansa e a lua me abandona
Agora que tu estás e nós seguimos de viagem

Agora que nos abraçamos quando as palavras não são nada



Agora que nos sentimos e temos confiança
 havemos de ter o mar para nos guardar

Agora que este verso não rima e eu te o dedico como se fosse mel

Agora que me deslumbras mesmo sem luz

Agora que somos natureza e somos nus

Agora que me visto e que me ponho sol

Agora que me sinto rio e me finjo de nuvem

Agora que não ha perfume e que os olhos são suaves

Agora que este verso não rima e tu escreves na alma como se nao houvesse tempo nem agua para humedeceres os olhos.

Agora que o rio caminha nos homens como o Deus agua no deserto dos olhos

Agora que estamos perto e caminhamos longe

agora que nos damos e não temos nada e que mesmo assim possuímos o tesouro de ter um coração a bater

Agora que me visto e que me ponho sol

Agora que me sinto rio e beijo o teu rosto de nuvem

me sinto abençoado como os pássaros que zelam as arvores.


Agora que me visto e te espero como se fosse a noite sem segredos

Agora que tenho medo da solidao e desespero de ter sede de beber amigos

Agora que estou contigo e somos sem compromisso e sem lei

Agora que os meus olhos te querem e te choram

Agora que estamos amigos e que nos vestimos de sol se a noite nos abandonar.

Agora que nos deslumbramos mesmo sem luz.


escrito em canhos de meca e dedicado a claudia


lobo 06
publicado por relogiodesacertado às 19:38
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Agosto 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. O gato que vê o frio dent...

. Os ratos na toca tem filo...

. Essa estrada

. ...

. ...

. ...

. ...

. A morte da mulher do Dono...

. ...

. Nas tuas mãos

.arquivos

. Agosto 2013

. Julho 2012

. Maio 2012

. Maio 2011

. Setembro 2010

. Janeiro 2009

. Junho 2008

. Maio 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Dezembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

.favorito

. ...

blogs SAPO

.subscrever feeds