Domingo, 8 de Outubro de 2006

frio

Levantei-me cedo, não tenho ninguem á espera e talvez haja alguém vestido de frio a dar-me noticias. Não queria contar uma história triste mas sinto-me perdido e pouco inspirado ao riso, se eu fosse verdadeiramente louco e se as palavras andassem descontroladas dentro da minha alma talvez eu voltasse a ser na essencia o poeta que fui , o animal, ou a terra povoada de vegetação e cor. Mas agora sinto que me falta algo, senti que durante a minha ultima viagem tinha encontrado uma parte da resposta e que as duvidas me satisfaziam em parte. Agora olho da janela a normalidade cotidiana, o dinheiro a circular nas mãos dos que curam ,dos que adoecem, dos que limpam sujam e falsificam. A vida normal , o trabalho, os filhos, a familia, a politica, a maquina que para no momento da morte. Quando falta inspiração parece acontecer mais forte essa carga de solidão que nos deixa longe dos homens e dos livros e quando a natureza toma conta de nós parece que nos estamos a despedir. Agora tenho pintado e desenhado um pouco, tenho sentido falta das palavras e dos afectos , o tempo não nos beija a boca, nem escuta o nosso coração, é preciso atravessar o muro, é preciso descobrir que o muro não existe, que suporto a dor que acredito.  Tu olhas-me devagar o teu modo de olhar é o silencio dos teus olhos andando em mim. Nós conversamos sobre a felicidade, a nossa felicidade, a nossa solidão, a nossa necessidade de razão parece acompanhada de um egoismo legitimo. A entrega aos outros, a água que se entrega á nossa sede e o pão que se entrega á nossa fome. Podia tentar mas não consigo ser indiferente, preocupar-me com as flores que estão a murchar e com as pedras que já não sentem a respiração dos sedentários e dos nómadas. Olho-te e vejo-te a dançar, o teu corpo desenha no chão a forma possivel do vento. Tens olhos grandes e profundos, quando te penso triste consigo descobrir mais coisas sobre ti. se nós os dois estivessemos comprometidos em amor e em paixão não te trocaria por uma embriaguês. Tu estás a fazer as malas, compras-te uma garrafa de vinho do porto, esse vinho tem frutos incorporados, o amor deve ter frutos incorporados. Agora tenho-me sentido muito só, comecei a ler um romance, imaginar um romance que falasse de mim, que me despisse como se eu levasse o testemunho da minha vida na palma da mão e deitasse tudo sobre a terra num modo como se despejasse água sobre os teus pés. Tenho frio, quando tenho frio lembro-me do louco pintor Holandes, em muitas coisas a nossa vida é parecida a minha talvez um pouco mais arrumada.  Gostaria de ser a flor que recebe a luz do sol ou de ser o caminhante sem me preocupar com o pão nosso de cada dia, que houvesse uma árvore para me alimentar e uma sombra para me acolher e que o trabalho fosse demorado como as estações e houvesse um grande amor, que o salário do trabalho fosse o amor e que depois eu partisse sem precisar de responder ás tuas perguntas inconvenientes á minha liberdade. A natureza põe a mão sobre a minha cabeça como uma mãe, mas também é impiedosa como a água que deixa sedenta a terra, crescemos na dor que torna a nossa arte e qualquer oficio o mais simples e o mais aproximado á perfeita comunicação e entendimento do ser. Abre a boca! a do mundo é grande e o que vemos e cheiramos dá vontade de não querer ver. Andas louca á procura de trabalho, tens formação musical, foste professora numa velha escola publica, hoje tem chuva e ratos velhos. Tens cinquenta e dois anos anos, outro dia disseram-te que as tuas mãos estavam velhas e tu tives-te vontade de dizer que as tuas mãos ainda eram capazes de satisfazer um homem, que ainda podias tocar a sinfonia que fizesse andar o mundo. Gosto da tua pele e dos teus olhos escuros, sobre ti muitos poemas devem ter sido escritos, a vida  é um romance anónimo ou o amor é um romance de anónimos. Mas o que é o amor?! podiamos perguntar isto á cobra que rasteja ou ao homem que não sabe de sua existencia e condição esse ser desencontrado da mente e da alma e a resposta seria um profundo e implacavel silencio. Tu continuas áprocura de trabalho, aos domingos tocas no velho piano da igreja, a musica que ele respira é a tua fé. Agora sei como se chama o teu Deus e sei porque te entregas a ele de todo o coração. Estás agora numa velha pensão, juntas-te algum dinheiro do tempo em que ensinavas na tal escola velha da chuva e dos ratos. Quando estás sózinha naquele sentido em que pouca coisa tem sentido te pões a chorar e quanto mais bebes mais choras.

 

 

publicado por relogiodesacertado às 10:53
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4 comentários:
De innername a 8 de Outubro de 2006 às 15:01
love u


De Zacarias L. Silva a 3 de Novembro de 2006 às 12:04
Olá... Bom, não sei o que dizer, mas sei que vai ser estranho. Me apresento primeiro. Meu nome é Zacarias L. Silva, moro no Brasil, no estado do Paraná. Tenho 22 anos.
Eu acordei hoje com uma coisa me intrigando, pois tinha sonhado com uma criança, menino ou menina, não me lembro, e essa criança só me dizia essa frase "Luz da montanha" repetidas vezes. Foi então que resolvi procurar na internet algo relacionado. O que encontrei de mais aproximado foi este blog e um site da igreja católica em portugal. Sendo assim, gostaria que você talvez pudesse me ajudar a entender o que este sonho queira dizer. O que é "Luz da montanha"? Por favor me ajude a descobrir. Me mande um e-mail. O endereço é zaca_png@hotmail.com
Aguardo ansiosamente. Obrigado.


De relogiodesacertado a 3 de Novembro de 2006 às 15:58
não sei o que dizer, o meu blog é um espaço de poesia e não sei muito bem porque dei este nome, talvez todos nós sejamos uma montasnha onde cresce luz, talvez a criança do seu sonho seja uma maneira de fazer despertar a sua essencia, o sentido de acreditar em si. luz da montanha pode ser o seu poder interior. sei lá


De umcantinho a 23 de Novembro de 2006 às 21:33
Só para dizer que gostei do que li lobo ;) Calmo como sempre. sabe bem ler-te com calma.
Ha uns tempos que nao falavamos ahm.. pois.. algumas coisas mudaram em mim.. ja tenho um blog... escrevo umas coisas e faço uns desenhos... Como vais? Queria falar contigo outra vez. Pelo menos visita o meu blog. é "http://umcantinho.no.sapo.pt"

Iuri Gaspar


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