Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

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A madrugada não levanta os homens abatidos pela sujidade das facas e das latas de comida, nem dos venenos que se deitam nas ruas e que inspiram as canções para o protesto do cansaso da civilização.
A madrugada não levanta os pássaros do lixo, nem eles lambem as pedras, memoria do bolor do pão, bolor do pensamento, ocio desta construção, morte do nosso mistério. Olhos tapados de betão e de cimento.
A madrugada não levanta os olhos aos poetas, nem chora por causa da alucinação dos peixes que mergulham em qualquer parte dos jornais e dos pesadelos dos relógios e dos anjos.
A madrugada não levanta os homens abatidos e sujos pelo poder de haver a terra que os devora e os põe de volta á luz. Essa causa que os faz ficar reconstruidos na paixão de um oceano que se deita na forma unica da força que não nos corta nem nos aniquila. E assim levantados e livres conseguimos entender que basta ver a água e provar a terra para ter a fórmula da vida no batimento do peito e na velocidade do vento nos pés dos homens selvagens.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 18:47
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Nos encontramos todos na incerteza dentro das roupas. Por um dia reconhecemos que cheiramos a um fedor de silêncio. Já não reconhecemos as lágrimas dos nossos olhos nem conseguimops vencer o sono no ringue do sexo fatal. ´frio o9 ar que vem da rua e as desculpas que metemos nas palavras quando se pressente qualquer coisa mais forte que a indiferença do amor. Nos encontramos por um certo momento no vazio de uma rua com qualquer recordação que fica como um filme onde a infância é mais um objecto e envelhecer é outro negócio. Nos encontramos todos na incerteza dentro das roupas, na incerteza dos olhos dentro dos livros. Nos encontramos todos no meio de uma multidão a gelar as ruas e os escritórios, um modo de fugir, talvez fazer do nada uma luta selvagem para conquistar a esperança. Por um dia reconhecemos que cheiramos a um fedor de silêncio, que é possivel atravessar a dor, guardar as margens da vida que não realizámos no circulo incompleto das viagens. Nos encontramos todos na incerteza do sangue nas veias, ficamos num certo momento entre o precipicio e a fantasia. Olhamos as flores tão velhas como uma doença e quando ficamos tristes fingimos que a guerra serviu parta não ficarmos esquecidos, que qualquer canção fique á tona do pensamento. Há-de ser algo profundo,uma marca tão forte para que não se faça a já esperada perdição do amor. Nos encontramos todos na incerteza dentro das roupas. Por um dia reconhecemos que temos um pássaro que voa sobre a terra quando é ele a miragem, essa agonia deitada sobre as nossas feridas. Ficamos num certo momento entre a duvida e a morte e por um dia reconhecemos que cheiramos a um fedor de silêncio. Já reconhecemos as lágrimas dos nossos olhos, há uma margem de paisagem no quarto escuro, uma página rasgada, talvez a unica noite que nos alivie das indefinições de não saber quem nos quer e nos faz sofrer. Ficamos num certo momento entre o precipicio e a fantasia e por um dia reconhecemos de onde vem aquela certa musica que nos faz reconhecer as lágrimas e o sentido do horizonte que entra pelo corpo quando parece que falta um certo movimento para recomeçar o amor. É frio , o ar que vem da rua e as desculpas que metemos nas palavras quando nos cansamos de voltar a tentar que não seja sempre o mesmo mistério que nos engana acerca do poder do amor.

Nos encontramos todos na incerteza dentro das roupas, na incerteza dos olhos dentro dos livros.

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 11:51
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2005

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É um gesto
este pedaço de terra
a desenhar a ave dentro da alma.

Antes eras a solidão
a inventar as ruas
um rio a insinuar-se nas pernas
uma forma de lua curvada
num fio de luz.

Como um Deus
a terra nos recebe,
ela nos tras o fogo. um olhar que nos quer
subtil como um movimento de existência
na invisivel paisagem dos olhos

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 19:36
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Domingo, 4 de Setembro de 2005

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Não sei se o olhar demora mais que o correr das águas, mais que o voo das aves ou do que o correr do sangue em qualquer parte do corpo antes do silêncio nos ferir e a morte nos adormecer. Não sei se o olhar demora mais que o vento levantando a terra, mais que o bater da chuva nas pedras ou do que o correr do sangue em qualquer parte da face de um iluminado vagabundo antes do dia escurecer e a bala no peito avisar que o destino já não lê as cartas nem olha aqueles que se contorcem com o silêncio impotente das palavras.

Não sei se o olhar demora mais que o correr das águas, mais que a musica na humidade dos dedos e mais que a desilusão na fria pedra ou do que a promessa do pão na boca pobre de quem não consegue reivindicar uma certa tristeza para uma certa profundidade do amor.

Não sei se o olhar demora mais que o correr da água, mais que o voo das aves e do que o abrir das pétalas como se fossem as gargantas que soltam todas as revoltas e que adormecem para ludibriar a morte que os espreita nas trincheiras.

Não sei se os olhares demoram mais que as aves, mais que os amantes na procura da ausência, mais do que as crianças que choram a falta do sol, mais que uma lágrima e ainda mais que uma raiz. Talvez tu sejas capaz de demorar a fé ou o amor que já não apetece nos homens quando seguem viagem e qualquer destino é uma desculpa para não assumirem que estão a envelhecer.

Não sei se o olhar demora mais que o correr da água, que o correr do sangue tão forte como um sentimento de despedida, assim um último suspiro de amor a convencer outras palavras, aquelas que caíram para o vazio de não entender os livros, nem as criaturas que vagueiam imóveis com a fraca solidão de nem serem capazes de se darem aos filhos.

Não sei se o olhar demora mais ou se tu demoras mais que a água, mais que as aves e qualquer coisa será ainda assim uma certa satisfação de adormecer fugindo a uma dor por demais atroz.

Não sei se os olhos demoram mais que o correr da água, mais que as aves e ainda talvez falte um tempo da espera. Uma gota de sangue, no pão, no corpo, num certo olhar.

Lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 10:47
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Sábado, 3 de Setembro de 2005

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Descemos a rua e ainda no rosto aquele salpico rápido de um sobressalto de mar. Ela rodou a saia e o fumo do cigarro contornou o calcanhar acompanhando o seu passo de dança. Continuamos descendo a rua, também as gotas de suor desciam o tronco das árvores, e havia musica e cansaso... a cidade era um laboratório de desejos e de crimes, alguns cometidos por amor, outros uma indiferença que ensina a respirar sem a precisão dos silencios e das palavras armadilhadas nos bares e nos quartos. Era urgente acabar com este matrimónio empresarial , este negocio das flores e dos sorrisos breves antes do castigo do trabalho. Amo-te. pego-te na mão e tu podes soltar. Não há lei. um céu muito azul e é dessa liberdade que precisamos para restabelecer o respeito á nossa naturesa vadia

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 15:27
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005

as aves vestem o nosso momento de espera.

As aves vestem o nosso momento de espera. O voo tranquilo delas é acompanhado pelo nosso mexer de lábios, esses lábios tocando os olhos, como as asas tocando as ondas. Assim nesta atmosfera de humidos toques e melodias navegadas na pele e na margem do nosso impulso tão inicial como a criação do mundo nos vamos resgatando das guerras e dos conflitos que a paixão nos deu para que as memórias mais gastas de uma solidão que nos desencontra nos desse agora uma opurtunidade de reconstrução. um horizonte alimentando os olhos intimos com o céu

lobo 05
publicado por relogiodesacertado às 18:46
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